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Bob Dylan odeia prêmios. E é o primeiro a ignorar solenemente o Nobel

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Bob Dylan odeia prêmios. E é o primeiro a ignorar solenemente o Nobel

Ganhar um Prêmio Nobel pode ser o supra-sumo da vida para 99% das pessoas, mas não para Bob Dylan. O astro do rock e blues, ganhador da homenagem na categoria Literatura, simplesmente não apareceu até agora para recebê-la e nem deus as caras para oficialmente aceitar. A situação é tão inusitada que a Academia Nobel, que identifica e agracia os eleitos, não sabe mais o que fazer para conseguir contatar o músico. Na verdade, o comitê do Prêmio Nobel desistiu de tentar alcançar Bob Dylan, seis dias depois ele se tornou o primeiro músico premiado com o Nobel da Literatura.

Dylan, de 75 anos, ainda não se pronunciou sobre ter sido merecedor da homenagem. Ele chegou a fazer um show na cidade americana de Las Vegas, na qual ele falou pouco e não mencionou o que fez seu nome alcançar as páginas dos jornais no mundo todo naquele dia. Cercade 24h depois, ele se apresentou no Coachella, festival de três dias que se passa no deserto californiano, e foi elogiado pelos Rolling Stones.

"Quero agradecer a Bob Dylan pelo set maravilhoso que fizemos", disse Mick Jagger para a imprensa norte-americana. "Nós nunca dividimos o palco com um vencedor do Prêmio Nobel antes. Bob é como o nosso próprio Walt Whitman." Keith Richards acrescentou: "Eu não consigo pensar em ninguém que merecia melhor."

Mas o próprio Dylan não tomou conhecimento público de tudo isso! A Academia Sueca, que concede os prêmios todo mês de outubro e organiza a apresentação em dezembro, diz que não ouviu de volta do cantor, nascido em Minnesota. As pessoas mais chegadas a ele já foram oficialmente notificadas, mas o próprio...

Dylan tem uma história longa e meio doida com cerimônias de premiação, começando com o prêmio 1963 Tom Paine, pelos direitos civis, no qual ele fez um discurso de aceitação sem pé e cabeça, dizendo que ele simpatizava com o assassino do ex-presidente John Kennedy, o condenado Lee Harvey Oswald. Mais tarde, ele soltou uma nota com um pedido de desculpas sobre isso.

No ano 2000, ele ganhou o Oscar de Melhor Canção Original, pelo filme “Garotos Incríveis” (Wonder Boys). Mas ele optou por não participar. E, em vez de ir à cerimônia, recebeu o prêmio por videoconferência na Austrália.

Em 2007, ele deu um bolo no príncipe herdeiro da Espanha, Felipe de Bourbon, ao não aparecer na cerimônia de entrega da medalha Príncipe das Astúrias, preferindo tocar naquela noite em Omaha, EUA, em vez disso.

Em 2010, apareceu rapidamente na Casa Branca para recolher a Medalha Nacional de Artes, cantar uma musiquinha e evaporar. Barack Obama, que frequentemente se declarou um grande fã de Dylan, não ficou #chateado. Há poucos dias, ele tuitou parabéns para a lendária estrela do rock pelo Prêmio Nobel, chamando-o "um dos meus poetas favoritos." Obama ainda incluiu um link para uma lista de reprodução Spotify, criado recentemente para fornecer uma visão geral da música de Dylan.

Que moral, hein?!

O pessoal da Academia Nobel disse que não sabe se Dylan planeja participar da cerimônia de 10 de dezembro, para os vencedores de todas as categorias do Nobel, ou se haverá uma pessoa para representá-lo em Estocolmo, Suécia, junto ao Rei Carl Gustaf. A verdade é que eles nunca tinham tido experiência igual. Um fato é certo: aparecendo ou não, ele receberá 8 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 2,9 milhões).

Veja a lista de livros de Bob Dylan:

"Bob Dylan song book" (1965)

"Bob Dylan himself: His words, his music" (1965)

"Bob Dylan: A collection" (1966)

"Bob Dylan: The Original" (1968)

"Tarântula" (1971)

"Poem to Joanie" - com introdução de A. J. Weberman (1971)

"Writings and Drawings" (1973)

"The songs of Bob Dylan: From 1966 through 1975" (1976)

"Lyrics, 1962-1985" (1985)

"Bob Dylan anthology" (1990)

"Drawn blank" (1994)

"Lyrics, 1962-1996" (1997)

"Lyrics, 1962-1999" (1999)

"O homem deu nome a todos os bichos" - ilustrado por Scott Menchin (1999)

"The definitive Bob Dylan songbook" (2001)

"Lyrics, 1962-2001" (2004)

"Crônicas - Vol.1" (2004)

"Bob Dylan: The drawn blank series" - editado por Ingrid Mössinger e Kerstin Drechsel (2007)

"Hollywood foto-rhetoric: The lost manuscript" - com fotografias de Barry Feinstein (2008)

"Lyrics" - editado por Heinrich Detering (2008)

"Forever young" - ilustrado por Paul Rogers (2008)

"Bob Dylan: The Brazil series" (2010)

"O homem deu nome a todos os bichos" - ilustrado por Jim Arnosky (2010)

"Blowin’ in the wind" - ilustrado por Jon J. Muth (2011)

"Bob Dylan: The asia series" (2011)

"Revisionist art" (2012)

"Bob Dylan: Face value - com textos de John Elderfield (2013)

"If dogs run free - ilustrado por Scott Campbell (2013)

"The lyrics : Since 1962"- editado por Christopher Ricks, Lisa Nemrow e Julie Nemrow (2014)

"If not for you" - ilustrado por David Walker (2016)