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Diretor de Os Últimos Jedi: futuro de Star Wars é feminino

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Falta pouquinho para o novo filme da saga Star Wars chegar ao Brasil. Os Últimos Jedi tem estreia marcada para 14 de dezembro, e a expectativa é enorme - ainda mais depois que o filme já foi exibido em algumas salas nos EUA, e muitos já dizem que é o melhor episódio da série desde “O Império Contra-Ataca”, de 1980. Um feito e tanto, né?

Diretor de Os Últimos Jedi: futuro de Star Wars é feminino

(Imagem via YouTube / Star Wars)

Rian Johnson, diretor do filme, conversou com Xenia Grubstein, do Storia Rússia, e falou sobre todo o processo até a finalização de Os Últimos Jedi - desde o momento em que foi escolhido para conduzir o filme até a vontade de continuar a franquia Star Wars com personagens femininos mais fortes. Veja abaixo os melhores momentos da conversa.

Como você descobriu que foi escolhido para dirigir Os Últimos Jedi e por que selecionaram você?

Ainda não faço ideia! Mas posso te contar como. Kathy Kennedy (presidente da Lucasfilm) e eu costumávamos nos encontrar com frequência. Aí ela me ligou - e eu pensei que seria o costumeiro encontro do tipo “o que você anda fazendo?” - fechou a porta e me disse: “JJ (Abrams) vai fazer O Despertar da Força. Você estaria interessado no episódio VIII? Eu eu simplesmente… Meu cérebro congelou e saiu pelas narinas. Eu não fazia ideia. Pensei se podia pensar no caso (risos).

E você pensou?

Sim! Ela ficou confusa (risos). Ela respondeu “hum, e quanto tempo você acha que precisa?”

Você precisou de tempo para recuperar o cérebro?

Sim, e colocá-lo de volta no lugar. Então eu tirei um tempo porque Star Wars significa tanto para mim! Eu queria ter certeza era algo que eu poderia mergulhar e corresponder às expectativas. Eu não sabia se podia e decidi que não importava porque estar em um Star Wars iria me fazer tão feliz… E aqui estamos!

Diretor de Os Últimos Jedi: futuro de Star Wars é feminino

Acha que correspondeu?

Oh, não tenho ideia (risos)! Eu sei que me diverti muito ao fazer o filme. Eu digo isto: mesmo se eu estraguei tudo e for horrível, e eu precisar me aposentar depois disso e ir para um exílio e nunca trabalhar de novo, valeu a pena apenas pela experiência que eu tive! (risos)

A direção que o JJ Abrams tomou parece mais contemporânea e eu diria que até feminista. Há mais personagens femininos fortes, não só Rey, mas Gwendoline Christie como Capitão Phasma, Laura Dern como a vice-almirante Amilyn Holdo, Kelly Marie Tran… Isso reflete o ambiente atual e a conversa que demorou, mas finalmente está acontecendo. Vocês vão continuar essa tendência?

Cem por cento. Mas não só para ser contemporâneo. Para mim… Eu amo personagens femininos. Eu amo escrever sobre elas, criá-las. Adoro atrizes. Amo a chance de trabalhar com Laura Dern… Obviamente, a chance de trabalhar com Carrie (Fisher)! E conseguir encontrar alguém novo como Kelly Marie Tran. No fim das contas, se é um bom personagem, é um bom personagem, e o público vai investir nele se é homem ou mulher. Mas havia algo sobre este filme que me parecia certo ao pender para esse elemento e trazer mulheres fortes para o pacote. Veremos como o público vai reagir.

Quais foram os maiores desafios para fazer este filme?

Um dos principais foi entender Luke Skywalker e onde ele estava mentalmente. Foi a primeira coisa que eu precisei entender. Porque no fim de O Despertar da Força você tem aquele grande momento dramático, mas você não tem ideia do que se passa na cabeça dele. E eu sabia… Ele sabe que seus amigos estão lutando, e ele está morando numa ilha afastada. Ele se exilou. Por quê? Eu sei que ele não é covarde, ele é o Luke Skywalker. Deve haver um motivo. Quando eu descobri algo que fazia sentido para mim, tudo começou a se encaixar.

Diretor de Os Últimos Jedi: futuro de Star Wars é feminino

Quais foram suas principais inspirações para fazer este episódio?

É difícil não olhar para O Império Contra-Ataca. Também é o capítulo do meio. Visualmente, eu acho que é o mais bonito e tem tantos momentos que eu gosto em um Star Wars… Mas a verdade é que a maior influência tinha que ser O Despertar da Força porque é a história que estamos continuando. São os personagens, mas também o tom que foi dado naquele filme. E aquele tipo de vibe “vamos numa aventura com amigos” que ele (JJ) estabeleceu tão bem. Então eu queria continuar numa linha reta.

Como foi lidar com um elenco enorme? Muitos atores disseram que parecia um set de filme indie ao mesmo tempo em que era uma franquia gigante. Como conseguiu isso?

Meu produtor Ram (Bergman) e eu, nós só fizemos filmes independentes, então não sabíamos fazer de outro jeito. Em termos de elenco, você está certa - quando eu vi todos eles sentados num sofá, foi meio “wow, temos muita gente neste filme!” (risos) Antes de mais nada, eu queria dar a todos uma jornada satisfatória. É parte do motivo pelo qual o filme é um pouco mais longo do que um Star Wars provavelmente deveria ser. Eu não queria diminuir ninguém. E uma vez que você começa a colocar todas peças no lugar, especialmente quando você entra na sala de edição, os personagens começam a encontrar seu lugar natural naquilo. O filme quer ser algo, e você precisa descobrir o que esse algo é.