CURIOSIDADES

Empresas de energia na Alemanha pagaram consumidores pelo excesso de produção

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Imaginem essa situação: o Brasil teve um surto de produção de biomassa e eólica tão grande que as usinas pagaram os consumidores para escoar a “produção”.

Achou isso doido?

Pois é. Aconteceu na Alemanha! Foram apenas poucas horas, mas o país teve um recorde de energia renovável em 8 de maio. Um domingo. Dia de TV sintonizada no futebol, freezer ligado para a cerveja, aquecedor em temperatura média para garantir um conforto, crianças jogando vídeo-game, filhas adolescentes fazendo chapinha no cabelo, etc, etc. Haja energia! E ainda assim, o país de Angela Merkel transbordou de oferta de eletricidade. Isso porque os painéis solares e os geradores eólicos receberam tanta luz do sol e vento que produziram 87% de toda a energia usada no país naquele dia. Dá uns 55 GW dos 63 GW que estavam sendo consumidos.

Vale observar o seguinte: existe um MERCADO de compra e venda de eletricidade. Quando a oferta aumenta, os preços diminuem. Nesse caso, o volume recorde fez com que usinas nucleares, de gás e de carvão vendessem seu excedente a preços negativos. Essas companhias não conseguem se “desligar” e ”religar” tão rápido. Então, mais vale simplesmente “comprar” o excesso.

Gente, no momento de menor preço, cada Megawatt/hora estava cotado a -130 euros!

Sim, meus caros. É assim que uma economia livre e aberta funciona quando o país vai de vento em popa. Não há paternalismos com o empresariado e a concorrência é acirrada: uma arena com muitas e muitas empresas.

No ano passado, a matriz energética alemã renovável foi de 33%, segundo a Agora Energiewende , uma companhia think tank (de políticas e pesquisas) em energia limpa na Alemanha. A nova força eólica deve empurrar esse ainda maior.

Os críticos têm argumentado que, devido aos picos diários e baixos de energia renovável, como o sol sobe e desce todo dia e os ventos vêm e vão sempre, essas energias limpas estão fadadas a serem sempre um nicho para as grandes economias.

Será?

Ao que parece, a coisa não é bem assim. A Alemanha quer bater a marca de uma matriz energética com 100% de energia renovável até 2050. O otimismo existe por causa da Dinamarca, cujos bons ventos levam para a Alemanha, Noruega e Suécia um excedente de eletricidade eólica.

Um brinde ao futuro!

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Por Pilar Magnavita

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