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Juninho Pernambucano se perdeu ao chamar torcida do Fla de preconceituosa

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Reprodução / SporTV
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Em uma participação no programa Seleção SporTV, o ex-jogador e comentarista da Rede Globo Juninho Pernambucano analisava o momento conturbado do Flamengo. Eliminado do Campeonato Carioca após a derrota por 1 a 0 diante do Botafogo, o Rubro-Negro demitiu o técnico, Paulo Cesar Carpegiani, o diretor de futebol, Rodrigo Caetano, e mais quatro profissionais, inclusive o auxiliar e ex-técnico Jayme de Almeida, campeão da Copa do Brasil em 2013.

Juninho começa a avaliar a crise do clube citando o que ele acredita ser uma falta de comando. O ex-jogador, ídolo do Vasco e do Sport (ambos grandes rivais do Flamengo) cita uma troca de treinador e a exclusão de jogadores como sintomas de precipitação e de falta de tranquilidade para os jogadores trabalharem. Até aí, tudo bem. É uma opinião válida, baseada em fatos.

Juninho, no entanto, não parou por aí. E foi então que ele se perdeu e criticou a torcida rubro-negra, rotulando-a como preconceituosa e afirmando que o lateral-esquerdo Renê perdeu sua vaga no time porque "é feio, é nordestino e não é amigo de ninguém". "O brasileiro é preconceituoso, e a torcida da massa é preconceituosa." Veja no vídeo abaixo, a partir da marca de 2 minutos.

Concordando ou não, vários pontos do comentário de Juninho são válidos. São sua opinião. Problema nenhum quanto a isso. Mas ele não podia olhar para a câmera do SporTV e dizer que a torcida do Fla é preconceituosa. Nesse momento, Juninho deixa de dar uma opinião para mostrar um desconhecimento gigante da história do futebol brasileiro e, mais especificamente, do Flamengo.

A torcida do Flamengo idolatou e ainda idolatra gente como o paraibano Júnior; os baianos Nunes, Bebeto, Obina, Junior Baiano, Aldair e Hernane, o Brocador; os maranhenses Mozer e Clemer; o paraense Charles Guerreiro; e o cearense Ronaldo Angelim, só para citar alguns. O rubro-negro de coração quer ver garra, emoção, talento e, claro, vitórias. Não importa se o gol do título veio de alguém nascido em Caxias do Sul, Ilhéus ou Manaus. Falar que existe esse tipo de preconceito é ignorância. E Juninho ignorou a história do Flamengo.

No caso específico de Renê e do Flamengo de hoje, o meia Éverton Ribeiro, paulista, também foi barrado no jogo com o Botafogo. O lateral-direito Rodinei, outro paulista, foi para o banco e deu lugar a Pará, cujo apelido identifica sua origem. Preconceito? Difícil justificar. Juninho, que tem uma birra histórica contra o Flamengo (vale lembrar que em toda a carreira, ele nunca venceu uma final contra o Rubro-Negro), se perdeu feio nesse caso.

O Flamengo divulgou uma nota oficial logo depois do programa. Foi até covardia. Juninho passou tanto do ponto que facilitou a vida da diretoria rubro-negra. O texto do clube, entre outras coisas, diz que flamenguistas "não somos uma 'torcida de massa', somos uma Nação. Estamos espalhados nos 26 estados, no Distrito Federal, somos de todas as cores, credos, tamanhos e gêneros. Somos do sul, sudeste, centro-oeste, norte e nordeste. Somos do Brasil e do exterior. Somos todos, menos alguns! Na nossa arquibancada a mistura de sotaques, rostos, classe social e, tudo que forma o ser humano, estará sempre presente."

"O Flamengo sempre estará à frente de todas as lutas", continua a nota. "Seja contra o racismo, pela luta da mulher por respeito no trabalho, causas sociais e tudo que for relevante para construir um mundo melhor. Nosso DNA não combina com discriminação, muito menos com a xenofobia."