O que foi a ditadura militar brasileira?

O que foi a ditadura militar brasileira?

Amanha
Autor Amanha
Política
Coleção Política
O que foi a ditadura militar brasileira?

No próximo dia 31 teremos o “aniversário” do golpe militar de 1964. Muitas pessoas, principalmente os mais jovens não sabem o que aconteceu e como isso aconteceu. Da tomada de poder antidemocrática até a eleição de Tancredo, veremos aqui tudo sobre essa história que não podemos esquecer jamais.

O que aconteceu antes do golpe?

Em 1961, Jânio Quadros havia sido eleito e assumiu a presidência, no mesmo ano, o então presidente renunciou, desse modo, seu vice, João Goulart assumiu o cargo.

Embora tenham sido eleitos juntos, os dois possuíam planos diferentes para o país. Jango, como João Goulart era conhecido, era um representante da classe trabalhadora e previa algumas reformas para o país com o intuito de melhorar a vida da classe operária.

A Reforma Agrária era a principal delas, os latifundiários, donos de terras, eram contra essa reforma, assim como a maioria dos parlamentares.

Uma parte da população, principalmente os ricos e conservadores, apoiaram uma derrubada do governo. Lembrando que na época, estava ocorrendo a Guerra Fria, a União Soviética e os Estados Unidos defendiam ferozmente seu sistema político, o comunismo e o capitalismo, respectivamente.

Por causa dessa disputa, os EUA ficaram com medo da “revolução comunista” e apoiaram ditaduras militares por toda a América Latina. O argumento de que isso era necessário para evitar o comunismo foi e vem sendo usado até hoje.

Em 31 de Março de 1964, com o apoio dos americanos, tanques militares do exército foram enviados para o Rio de Janeiro, onde Jango estava. O então presidente precisou partir para o Uruguai, onde ficou exilado.

No dia 15 de Abril, Castello Branco toma posse e se torna o primeiro presidente da ditadura militar brasileira.

Os presidentes militares

Castello Branco (1964 – 1967)

Houveram cinco presidentes na ditadura militar, na época, as eleições eram indiretas e de fachada, já que os militares tinham o controle da Câmara dos Deputados e do Senado.

Durante a ditadura, os Atos Institucionais, conhecidos como AI foram muito usados. Eles davam “legalmente” poder para que os militares permanecessem no comando.

O AI-1 teve como principal característica, o fim das eleições diretas. Elas passariam a ser feitas pelo Congresso Nacional. Em 1965, a AI-2 foi criada, e proibia a existência de partidos políticos, exceto dois.

O ARENA (Aliança Renovadora Nacional), que era o partido dos militares, e o MDB (Movimento Democrático Brasileiro), onde ficavam os opositores. O governo militar tentou mostrar uma visão de democracia para o resto do mundo, mas os opositores possuíam direitos limitados.

Costa e Silva (1967 – 1969)

O mandato de Costa e Silva ficou conhecido pela repressão, violência e tortura de opositores, além da restrição aos direitos políticos e à liberdade de expressão.

A insatisfação da população com as atitudes antidemocráticas gerou protestos contra o governo, incluindo a Passeata dos 100 mil. Foi nessa passeata que Edson Luís foi morto, a morte do estudante serviu para fortalecer ainda mais a oposição.

Por causa do aumento dos protestos, surgiu a AI-5, Costa e Silva fechou o Congresso e decretou estado de sítio. Mandatos de prefeitos e governadores foram cassados, e reuniões foram proibidas.

O que foi a ditadura militar brasileira?

Médici (1969 – 1974)

Foi no governo de Médici que as maiores repressões aconteceram, opositores eram caçados, torturados e mortos, a censura também se intensificou bastante. Qualquer um que fizesse a mínima crítica ao governo era sujeito a tortura, aliás, simplesmente a atitude de se reunir em locais públicos era motivo para a repressão.

Porém, durante esse período que ocorreu o chamado “milagre econômico”, onde o PIB do país cresceu 10% ao ano, além de grandes investimentos de infraestrutura que ocorreram.

O Brasil acabou vencendo a Copa do Mundo de 1970, e o governo pegou carona na empolgação popular para criar publicidade nacionalista como o slogan “Brasil, ame-o ou deixe-o”.

Porém, o chamado “milagre” deixou uma dívida externa de US$ 1,2 trilhão. Isso deixa marcas na economia até hoje, cerca de 45% do valor arrecadado pelo governo é para o pagamento da dívida externa, que hoje é de US$ 37 bilhões.

A desigualdade de renda também foi muito acentuada com esse “milagre econômico”, de acordo com as pesquisas, a desigualdade no Brasil na época era maior do que a de países como Haiti e Namíbia.

Em 1973, após a crise mundial de petróleo a inflação começou a subir muito, chegou a atingir os 30% ao ano. O desemprego e a miséria aumentaram muito no país, causando um grande descontentamento com o governo.

Foi nessa época em que Médici intensificou a repressão da oposição, e criou instituições como o DOI (Departamento de Operações Internas), ele era responsável por caçar, aprisionar, torturar e matar opositores do governo. Esse departamento existia em todas as principais cidades do Brasil.

Geisel (1974 – 1979)

Após anos de muita repressão, violência e tortura, o governo Geisel começou a reduzir lentamente a repressão militar. Uma transição para um regime democrático estava ocorrendo, mas os opositores continuavam sem voz.

Mesmo assim, ainda houve muitos casos de violência e brutalidade, talvez o mais marcante da Ditadura Militar foi a morte de Vladimir Herzog. O jornalista era diretor da TV Cultura e após se apresentar voluntariamente a um quartel, foi torturado e morto.

Os militares disseram que o jornalista se suicidou, mas as marcas da tortura e assassinato estavam presentes no corpo. Além de que, na foto oficial, ele teria se enforcado com os pés no chão, o que é impossível.

Depois de muita pressão popular, a AI-5 foi revogada.

Figueiredo (1979 – 1985)

O governo Figueiredo foi o último da Ditadura Militar. A principal marca foi a Lei da Anistia, onde presos políticos e pessoas exiladas tiveram permissão para voltar ao país. A polêmica é que militares torturadores, assassinos e responsáveis por crimes bárbaros foram inclusos nessa anistia, e os declarados “guerrilheiros opositores” não.

Em 1985, ao fim de seu mandato, o Congresso, novamente aberto escolheu um presidente “democraticamente”. Embora a pressão popular pedisse eleições diretas, isso só foi ocorre em 1989.

O presidente escolhido pelo Congresso foi Tancredo Neves.

O que foi a ditadura militar brasileira?

Fica mais do que claro que o período militar brasileiro foi uma época de repressão e sem liberdade de expressão, além dos milhares de casos de tortura e censura. O país cresceu economicamente, mas sem distribuição de renda, ou seja, os ricos ficaram mais ricos e os pobres mais pobres. Além do mais, a inflação e a dívida externa se tornaram estratosféricas.

É importante que todos nós tenhamos consciência de nossa própria história, evitando assim que ela se repita novamente. Ditadura nunca mais.

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