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O ator Paulo Gustavo e o preconceito dos internautas por sua vontade de ser pai

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O ator Paulo Gustavo e o preconceito dos internautas por sua vontade de ser pai

É sempre triste perder um filho, mesmo que seja por meio de uma barriga de aluguel, e que os pais sejam gays. A solidariedade humana e a empatia deveria fazer com que, no mínimo, a gente respeitasse a dor alheia.

Infelizmente, a homofobia sempre dá um jeito de aparecer. Foi o que aconteceu, por exemplo, com o ator e humorista Paulo Gustavo e seu marido, Thales Bretas. Por meio de sua conta no Instagram, ele explicou:

Gente , gostaria de dividir com vocês um momento super difícil ! Na semana passada a mamãe de aluguel entrou em trabalho de parto no meio da gestação , quando os bebes ainda não eram viáveis ! Infelizmente não será dessa vez ! Estamos muito tristes , mas fortes e acreditamos que tudo isso tem algum porquê que saberemos mais pra frente ! Eu e thales somos muito jovens , saudáveis e nos amamos muito! Portanto, vamos começar tudo de novo ano que vem ! Seremos Pais , mas um pouco mais pra frente!

Vários dos sites que publicaram a notícia receberam uma enxurrada de comentários de haters. Discursos homofóbicos, pseudo-moralistas e com argumentações “religiosas”.

O ator Paulo Gustavo e o preconceito dos internautas por sua vontade de ser pai

Não é só conversa

Os comentários preconceituosos na internet é apenas a parte mais visível da LGBTfobia, que é a aversão a lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais. Para se ter uma ideia, de acordo com o Disque 100, ligado ao governo federal, em 2016 foram registradas 1.876 denúncias de violências contra essa parcela da população. As maiores denúncias se referiram à discriminação, violência psicológica e lesão corporal.

A falta de respeito à diversidade sexual também faz com que seja registrado pelo menos um homicídio contra gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais a cada 24 horas. O levantamento do Grupo Gay da Bahia vem mostrando que a violência sempre existiu e que apesar de um aumento nas agressões, a visibilidade é o melhor antídoto contra o preconceito.

Não adianta dizer que respeita os LGBT desde que isso ou desde que aquilo. Todos merecem ser tratados com justiça porque todos somos iguais.

Intolerância religiosa

O pior de tudo é quando a intolerância vem com argumentos pretensamente religiosos. Embora boa parte das pessoas religiosas entenda que amar o próximo não é fazer distinção sobre a sexualidade ou aparência das pessoas, ainda sim, há quem use de argumentos religiosos para o preconceito.

A rede de supermercados Hirota, em São Paulo, por exemplo, divulgou recentemente um panfleto defendendo valores familiares em que diz:

O casamento é a união entre um homem e uma mulher, entre um macho e uma fêmea. O casamento homoafetivo está na contramão do propósito divino e não pode cumprir seu propósito. A relação conjugal entre homem e mulher é antinatural , é um erro, uma paixão infame, uma distorção da criação.

O ator Paulo Gustavo e o preconceito dos internautas por sua vontade de ser pai

Dito desta forma, esse discurso só alimenta o ódio contra quem ama e quer constituir uma família.

O ator Paulo Gustavo e o preconceito dos internautas por sua vontade de ser pai

Voltando ao ator Paulo Gustavo, internautas usaram como justificativa uma intervenção divina pelo não prosseguimento da gravidez da barriga de aluguel...

Que nós tenhamos mais empatia à dor das pessoas que sofrem com perdas e que tenhamos mais paciência para explicar o que é óbvio: as pessoas são livres para amar quem quiserem e deveriam ser livres para constituírem famílias.