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O país que mais mata travestis assiste o sucesso de Pablo Vittar e isso é ótimo!

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O país que mais mata travestis assiste o sucesso de Pablo Vittar e isso é ótimo!

O Brasil mata o triplo do número do segundo colocado no ranking mundial dos países onde se tem vítimas fatais de violência entre a população de transexuais e travestis. Líder absoluto, grande parte dos crimes envolvem violência extrema e motivos fúteis. Mas esses dias estava tomando uma Coca-Cola e vi a foto de Pabllo Vittar ali. Isso me fez ficar pensando muito sobre como 2017 foi o ano da cantora mas a realidade brasileira ainda é tão dura.

Nessa semana a participação de Pablo no programa Altas Horas da Globo, bateu o número máximo de audiência desde que o programa começou nos anos 2000. Ela já sentou no sofá da Fátimas Bernardes, fez parceria com Anitta, Coca-Cola, Adidas e tantas outras marcas.

Quem é Pabllo Vittar?

Phabullo Rodrigues da Silva tem 22 anos e é natural de São Luís no Maranhão. Viveu uma infância humilde e cheia de bullying. Não conheceu o pai que abandonou a mãe quando ela ainda estava grávida. Na adolescência começou a imitar Beyoncé, sua grande diva, chegando a assinar como Pabllo Knowles.

Cantando e performando oficialmente desde 2015, emplacou hits como “Open Bar” e desde então seus vídeos possuem milhões de visualizações. O ano de 2017 foi definitivamente um marco, tanto pela internacionalização da carreira de Pabllo, como pela cobertura da mídia.

Foi o ano de entrevistas, especiais, shows e grandes parcerias. Algo que até então pareceria uma realidade distante num país onde grande parte da população é religiosa, preserva o posto de número um na morte de transexuais e travestis e no geral exala preconceito.

O país que mais mata travestis assiste o sucesso de Pablo Vittar e isso é ótimo!

Será que o Brasil está mudando?

Não diria que o sucesso dela se deve a algum milagre de consciência do povo brasileiro, mas sim ao novo uso do capitalismo para as causas das mulheres e LGBTQs. Num surto incrível marcas de batom começaram a levantar a bandeira do feminismo e marcas de cervejas que sempre disseminaram preconceitos, começam a celebrar o diferente.

Tudo isso se deve sim a uma demanda do público mais jovem, que não se identifica mais com os absurdos que a outra geração foi ensinada a cultuar. Mas mesmo assim, se o capitalismo responde a demanda, ele também gera.

No caso de Pabllo, ela usou esse “poder” para falar sobre sua história e causas, criando um impacto real na vida de outras pessoas que passam por opressões semelhantes. E na real, esse é o real brilho e porque ela merece o prêmio de melhor pessoa de 2017: não deixou de defender suas causas diante dos holofotes.

O país que mais mata travestis assiste o sucesso de Pablo Vittar e isso é ótimo!

Uma causa maior que a música

Quando assistimos Pabllo Vittar rebolando bem na sua cara, diante de números tão alarmantes de violência, podemos sentir algum tipo de esperança quanto a mudança que pode acontecer no mundo. Se o Brasil ainda tem números tão medonhos, talvez essa nova geração realmente consiga mudar tais números aos poucos.

Não tem como separar o sucesso dos novos rumos comerciais da publicidade e mercado de consumo, mas se existir a possibilidade de aliar esse mercado que sempre existiu e vai existir com causas reais para conversar com uma grande parcela da população que ainda acredita que violência e preconceito diz respeito a questões que só falam sobre direitos básicas de todo indíviduo.

O direito de existir como se é.

Rebolando bem na sua cara.