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Será que o funk “Surubinha de leve” realmente faz apologia ao estupro? Entenda o

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Será que o funk “Surubinha de leve” realmente faz apologia ao estupro? Entenda o

O Brasil tem um estupro a cada 11 minutos. Não bastante, grande parte das vítimas são crianças e adolescentes. Nunca foi e nunca será um país seguro para mulheres. Por que digo isso? Porque nessa semana um funk chamado Surubinha de Leve, do MC Diguinho, ficou entre os virais do aplicativo de músicas Spotify.

A letra do funk é uma grande apologia ao estupro e levantou o debate pois se o funk por um lado sofre preconceito sim, nesse caso a reclamação foi real.

Será que o funk “Surubinha de leve” realmente faz apologia ao estupro? Entenda o

Quer entender porque Surubinha de Leve realmente faz apologia ao estupro?

Faz poucos anos que notei que poucas pessoas que conheço entendem o que é estupro. Mesmo sendo uma violência hedionda, com números alarmantes e com um debate crescente, grande parte das pessoas ainda não compreendem o que é realmente estupro.

Estupro é qualquer ação, conjunção carnal ou não, penetração ou não, não importa, que seja deferido contra a vontade de alguém. Se a pessoa é menor de idade, se está bêbada ou incapacitada de poder consentir com consciência e alguém força uma situação sexual, é estupro.

E por mais “simples” que pareça, muitas pessoas não compreendem. Principalmente homens, que são o gênero que mais estupra no Brasil. Sim, mulheres não praticam esse crime nem 10% que o número de homens. Será então a culpa dos homens ou das mulheres?

Grande parte das pessoas alegam que mulheres que são vítimas de estupro não se dão o respeito, estavam bêbadas ou foram culpada de alguma forma, como se homens fossem marionetes do destino e não estivessem ali cometendo um crime. Culpabilizar a vítima é mais comum do que imaginamos.

Agora que entendemos o crime, vamos falar da cultura.

Será que o funk “Surubinha de leve” realmente faz apologia ao estupro? Entenda o

Cultura do estupro entre homens

Primeira que não existe “natureza do homem”. Um homem não é naturalmente violento, desequilibrado, tentado por uma saia curta, ele é inserido num contexto social e cultural onde é ensinado desde cedo que é “normal” assobiar, passar a mão e eventualmente violentar em algumas ocasiões.

Esse ensinamento pode não vir de uma pessoa que fala “Ok, fulano, isso é normal”, mas da TV, de músicas, de hábitos entre familiares e amigos. E é disso que falo quando digo que Surubinha de Leve é uma grande homenagem à cultura do estupro e sim, faz apologia do mesmo.

Um garoto que acredita que é normal cantar que é para embebedar uma menina, estuprá-la e deixar na rua, provavelmente machucada, em algum momento entrou nesse “círculo” de cultura e realmente acredita que isso é algo normal, legal ou até divertido.

Vários comediantes, tipo Danilo Gentili, também fazem piada com assédio, violência contra a mulher e estupro. Chamam essa “naturalização” de piada, de brincadeira, de música, quando falamos de algo que vitimiza uma mulher a cada 11 minutos, sendo grande maioria de crianças e adolescentes. O bom é que cultura é algo construído, então também pode ser mudada.

Será que o funk “Surubinha de leve” realmente faz apologia ao estupro? Entenda o

O problema não é o funk, é a letra

E antes que comecem a falar que o problema é o funk, que funk não é música e esse é o problema, sertanejos, rock, metal, músicas românticas, novelas, seriados, atores variados, já assistimos e ouvimos doses cavalares de cultura e apologia ao estupro várias vezes. Alguns são tão, tão comedidos que só quem já está nessa luta faz um tempo consegue compreender que aquela situação não é bem isso.

O caso do MC de agora é saber que ele chegou no topo das músicas mais ouvidas num aplicativo de música super famoso e que sim, mesmo falando aquilo de forma tão agressiva e direta, muita gente ainda defende e diz que a patrulha do mimimi está atacando novamente.

Quem defende ou normatiza tais ações está, de uma forma ou outra, atingindo a Maria, Júlia, Paola, Renata e tantas outras mulheres que vivem ou vão viver isso um dia, a cada 11 minutos, e não, isso não é piada, não é bobeira, isso precisa parar.

E você, o que achou desse funk? Está bravo?