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Socorro: meu filho não gosta de relacionar com ninguém

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Socorro: meu filho não gosta de relacionar com ninguém

Alguns pais já podem ter observado que o filho não gosta muito de se relacionar com as pessoas. Prefere brincar sozinha, não curte esporte em grupo e só gosta da brincadeira quando é ela quem manda. Natural pensar que esse comportamento vem totalmente da criança e nada do ambiente em volta. Daí vem os rótulos que a pessoinha vai levar para a vida toda: tímido, egoísta, individualista, introvertido. No entanto, essa predisposição sempre tem um cadinho de contribuição da família. Aliás, um cadinho não, mas um bom tanto.

Baseados nas nossas experiências como crianças, queremos respeitar nossos filhos como são, amá-los do jeitinho que eles chegaram para nós. Esse desejo é tão forte que alguns papais e mamães até se esquecem de que uma missão tão importante quanto amar: educar. E essa educação começa com a relação dos pais com ela e dos pais entre si.

Não estamos falando aqui de casos de bullying ou de situações familiares desajustadas e traumas que favorecem o comportamento introvertido e individualista. Uma criança que não encontra proteção nos pais ou de alguém próximo tende a desenvolver o egoísmo como um fator vital de sobrevivência. Estamos falando de situações dentro da normalidade das famílias.

Todos nós, inclusive as crianças, devemos desenvolver a individualidade e isso é maravilhoso. Saber quem somos, quais são as nossas questões, o que sentimos, quais as nossas dificuldades, etc... Mas durante os primeiros 7 anos de vida a consciência sobre si mesmo e sobre o outro é formada. Portanto, não existe rótulo para alguém menor, mas um ambiente que favorece determinadas atitudes.

De acordo com psicólogos especialistas em infância, um dos principais fatores que levam os pequenos a permanecer mais centrados em si mesmos está fortemente relacionado à dinâmica das casas nos tempos atuais, em que os filhos têm todas as suas necessidades e vontades atendidas, sendo muitas vezes colocados no centro da família. Os papais e mamães amam tanto aquele serzinho especial que se esquecem até do casamento, frequentemente colocando as manhas da criança acima até do relacionamento. 

Socorro: meu filho não gosta de relacionar com ninguém

Isso está certamente ligado à resistência que os pais têm em frustrá-los ao dizer "não". "Crianças que crescem nesse contexto têm maior dificuldade para considerar o outro, uma vez que esse treino pouco acontece no ambiente familiar. Portanto, nosso grande desafio enquanto educadores é atender à educação das crianças e não às crianças. Quando dizemos não aos desejos, levamos à espera, à dedicação por algo e à consideração do outro.

Entretanto, uma criança que cresce naquele contexto em que tem seus desejos prontamente atendidos tem uma tendência maior a se manter egocêntrica e com grandes dificuldades na vida escolar, seja para fazer amigos, aceitar regras, perder no jogo, seja para brincar de algo que não é como ela quer.

Agora, imagine você um adulto que morre de medo de se frustrar? O que ele realiza? Como poderá ser feliz?

O “não” é necessário tal qual as desilusões. Assim, saberão a medida exata das metas e do trabalho que necessitam fazer para alcançá-las, sem medo de dar errado. Aprenderá a enfrentar problemas e encontrar soluções positivas. Mas isso tudo só acontece se na infância a pessoa não teve tudo de mão beijada.

Portanto, a dificuldade em se relacionar e a preferência por permanecer sozinho e evitar atividades em grupo não aponta, necessariamente, para uma característica de crianças tímidas - vale lembrar que estar introvertida não implica ser introvertida, voltando novamente à questão dos rótulos - mas muito mais de pequenos que estão acostumados a ser o centro das preocupações.

Portanto, se esse é o caso do seu filhote, reveja a maneira com que ele apresenta para você as “necessidades” dele, ensine a criança a questionar o motivo que as faz querer determinada coisa e, assim, ele entenderá o porquê você irá ou não atendê-lo. Ele pode até fazer pirraça nas primeiras vezes, pode inventar doenças ou até mesmo psicossomatizar, mas tudo é um exercício. O aprendizado não é instantâneo e ele vai errar. Não tem problema. No fim das contas, é isso mesmo que você está ensinando a ele: a conquistar a vitória em cada coisa. Sem rótulos.