A luta e o luto da Mulher do Pau Brasil

MelindArt
Author MelindArt
Música
Collection Música
A luta e o luto da Mulher do Pau Brasil

Foto: Leo Aversa

No último ano, depois de passar um tempo em Portugal, Adriana Calcanhotto voltou ao Brasil com um novo velho show: A Mulher do Pau Brasil. A notícia foi recebida com fulgor por milhares de pessoas, inclusive por mim.

Adriana passou um período lecionando na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, e finalmente, depois de ficar longe dos palcos por dois anos, decidiu voltar.

A turnê Mulher do Pau Brasil começou ainda em Portugal, após um concerto teste, a repercussão foi vasta e gerou um maravilhoso show que passou pela Europa e por todos os cantos do Brasil.

O espetáculo foi moldado a partir de canções feitas com poemas do período lusitano, no Barroco brasileiro, com letras por exemplo, de Gregório de Mattos. Releituras atuais também foram feitas, como em “As Caravanas” de Chico Buarque, além é claro, de canções clássicas da própria Adriana.

“Vamos Comer Caetano” (1998) não podia faltar, a canção possui uma ligação íntima com a música inédita que dá nome ao show. A Mulher do Pau Brasil é um novo velho show pois no início da carreira, Adriana Calcanhotto possuía um espetáculo de mesmo nome, isso ainda nos anos 80.

Mesmo antes do anúncio inesperado dessa nova turnê, Adriana já era uma parte importante de mim, eu a considero ainda uma das principais influências em minha vida não só artística, mas pessoal.

Sendo assim, é claro que eu marcaria presença nesse show excepcional. A data de estreia foi marcada, e coincidentemente, seria na cidade onde vivo.

Lá estava eu no Palácio das Artes, em Belo Horizonte, acompanhando a estreia de A Mulher do Pau Brasil no país. Eu estava lá mas não sabia de fato o que esperar, as únicas apresentações que eu havia visto dela foram de shows na internet.

Ao me sentar no assento designado, ouvi uma garota comentar com a outra que já havia ido a um show da Adriana Calcanhotto, e que ela iria fazer uma apresentação muito boa, mas sem intimidade com o público.

Por um segundo me desanimei um pouco, até que finalmente o espetáculo se inicia. Vagarosamente, ela se levanta da rede e inicia a canção inédita “Nasceu no Sul / Foi para o Rio / E amou como nunca se viu / Depois do Rio que tragou / No além-mar onde emergiu / Chamou-se a mulher do Pau Brasil”.

O show continua com apresentações fortes, priorizando a música viva, com a voz e a sutil melodia, praticamente sem efeitos eletrônicos, deixando um clima denso e intimista.

Em seguida houve a apresentação de “A dor tem algo de vazio” poema de Emily Dickinson que acabou musicado. A música, assim como todo o show possui um ar existencialista difícil de tragar.

Ao fim do poema, Adriana tocou tambor com intensidade e dor, em cada batuque uma pancada de agonia e aflição me alvejava. Ao fim, já aos pedaços, percebi que era apenas a segunda música, e juntando os cacos, me recompus para o restante do espetáculo.

Quando por fim ela tocou “Inverno”, eu já não fazia mais parte de mim. O show ainda contou com momentos de alegria e felicidade, além de menções engraçadas sobre Vinicius de Moraes, mas no geral, A Mulher do Pau Brasil é um retrato preciso da dor, luta, e luto que enfrentamos diariamente.

Be the first to like it!

Comments

avatar

People also liked

Related stories
1.The Surprising Truth Behind Opioid Addiction in America
2.Kit Harington and Emilia Clarke  
3.Being Vegan Might Be Ethical, but It Is Unhealthy
4.Nigel Farage and Mitch Feierstein Discuss Censorship by Twitter, Facebook, & Google
5.Keto Fast Food in 10 Questions
6.Why Banning Tommy Robinson from Facebook wasn't a Good Idea? 
7.Anti-Semitism, Ilhan Omar, and the U.S. Congress 
8.Body Painting Art
9.Does Jason Witten still have it?
10.Fastest moving balls in the history of the sport
500x500
500x500