ESPORTES

10 valiosas lições que Wimbledon nos ensinou em 2016

Author
10 valiosas lições que Wimbledon nos ensinou em 2016

O maior torneio de tênis no mundo acabou com um país comemorando, após semanas de desesperança, e com uma mulher negra alcançando o recorde mais cobiçado de seu esporte. Estas duas semanas de Wimbledon (que, como em todo Slam, parecem que duram um ano) deixaram lições valiosas que carregaremos para estes próximos meses de Olimpíadas e US Open. 

1. A Grã-Bretanha tem um motivo para sorrir.

Depois de muito tempo de manchetes de jornais pessimistas, retratando um país dividido, com a economia desabando e os responsáveis pela tragédia fugindo da responsabilidade, a Grã-Bretanha foi muito feliz por um dia. Andy Murray fez pessoas na Inglaterra, na Escócia e no País de Gales levarem o punho ao ar e sorrirem em um domingo de sol. 

Ele já havia tirado de Dunblane, sua cidade natal, o rótulo de "município em que um massacre matou 16 crianças em uma escola". Depois, encerrou um jejum de 77 anos sem um campeão britânico em Wimbledon e de 79 anos sem título na Copa Davis. Neste domingo, descobrimos que há sempre uma nova maneira de Murray fazer pessoas levantarem a bandeira do Reino Unido com orgulho.

2. Andy Murray deu muito azar em finais de Slam no passado.

O aproveitamento de Murray em finais de Slam é ruim (três vitórias e oito derrotas), mas só agora percebemos o quanto ele deu azar nesta vida. Todas as decisões anteriores foram contra Novak Djokovic ou Roger Federer. Ou seja, esta foi a primeira vez em que ele entrou em um jogo para o título como favorito. Comparando: o primeiro adversário de Rafael Nadal em uma final de Slam foi Mariano Puerta e Jo-Wilfried Tsonga foi o de Novak Djokovic.

3. Serena Williams é uma das melhores atletas da história. Sim, levando em conta homens e mulheres.

A mídia esportiva tem a mania de tratar os recordes masculinos como algo absoluto e os femininos como algo específico. Porém, essa lógica fica confusa no tênis, um esporte em que grande parte das melhores marcas é de mulheres. Serena alcançou os 22 Grand Slams de Steffi Graf na Era Profissional (Margaret Court tem 24, mas a ganhou grande parte deles na época em que o Australian Open era quase um campeonato nacional) e é considerada por cada vez mais gente a melhor tenista da história. Porém, quando questionaram a norte-americana sobre isso, ela respondeu: "Gostaria de ser considerada uma das melhores atletas da história". Sim, homem ou mulher. Como dizer que ela está errada?

4. É possível vencer Novak Djokovic em uma partida de tênis.

E SAM QUERREY foi o responsável. É claro que Djokovic não estava em seu melhor nível em Londres. A vitória em Roland Garros foi um fim de um ciclo para o sérvio e, por mais que houvesse uma expectativa para um Grand Slam de calendário, vencer quatro consecutivos já é um peso maior do que o mundo para um tenista. A própria Serena sabe disso também. A derrota não muda o status de Djokovic como jogador soberano do circuito no momento. Mas tira um pouco de sua aura de invencibilidade.

5. Roger Federer encontra limitações maiores. Mas isso não significa que ele "acabou".

Sim, Federer não venceu um Slam mais uma vez. Mas seus fãs precisam parar de exigir disso dele como uma obrigação. Estamos falando de um jogador de quase 35 anos, que passou por uma cirurgia no joelho e tem um problema crônico nas costas. Ele é número 3 do mundo. Ainda tem um espírito de luta impressionante, como vimos no jogo contra Marin Cilic, mas também pode deixar escapar vitórias quase ganhas, como na semifinal diante de Milos Raonic. Mostrem mais carinho do que cobrança. Não peçam em vão que ele se aposente. Quando ele realmente fizer isso, vocês vão se arrepender.

10 valiosas lições que Wimbledon nos ensinou em 2016

6. Teto retrátil não resolve todos os problemas (e pode criar outros).

A insistente chuva da primeira semana trouxe um bocado de problemas para a organização e nem o teto retrátil da Quadra Central conseguiu resolver todos. A ocorrência de partidas em uma só quadra fez com que jogadores avançassem no torneio enquanto seus possíveis próximos adversários sequer houvessem começado seus jogos. Petra Kvitova, bicampeã de Wimbledon, só terminou (e perdeu) sua segunda rodada no sábado, dia em que a terceira rodada deveria ser finalizada. Sou do time que prefere sempre atrasar o menor número de jogos possível (e, por isso, a favor dos tetos), mas é inegável que acabar com o problema da chuva em um torneio outdoor é impossível.

7. Venus Williams devia escrever um livro de autoajuda.

Aos 36 anos, Venus alcançou as semifinais da chave de simples e ganhou o título de duplas com Serena (o décimo quinto das irmãs!) e isso nos deu a oportunidade de ouvir um pouco de sua sabedoria: 

"Na primeira vez que você vence, ninguém aposta em você. Na última vez que você vence, ninguém aposta em você. Você tem que apostar em si mesmo".

"Acho que ninguém se sente mais velho. Você tem este infinito dentro de você que te faz sentir que você pode continuar para sempre".

#lifelessons

8. Angelique Kerber não está satisfeita com só um Slam.

Quem achava que a alemã desapareceria dos holofotes após o troféu no Australian Open se enganou. Kerber fez um torneio impecável, inclusive na final, exigindo o máximo de Serena Williams em um piso que favorece completamente a norte-americana. Ela ainda não é extremamente regular em resultados, como Maria Sharapova era, mas deixou claro que está bem determinada a aumentar sua coleção de Slams.

9. John McEnroe não é treinador de Milos Raonic.

Se alguém tinha dúvidas de que McEnroe não era treinador de Raonic, elas desapareceram em Wimbledon. O norte-americano não estava presente nos treinos do finalista canadense, nem no seu camarote durante os jogos. Enquanto Raonic lutava para virar um 0-2 contra David Goffin, McEnroe comentava na TV o jogo de Federer contra Cilic. O papel dele era simplesmente de consultor (também conhecido como 'dou uns conselhos para o lado mental') e Carlos Moyá e Ricardo Piatti foram os verdadeiros responsáveis pela evolução de Raonic nos últimos meses e anos.

10. Um homem que está fora dos 700 melhores do ranking pode disputar Wimbledon, ganhar um jogo e dar um lob em Roger Federer.

Marcus Willis dominou a primeira semana (tirando o momento em que Del Potro venceu o Wawrinka) com sua história de superação. O inglês estava perto de abandonar a carreira de jogador profissional para virar treinador, quando conheceu uma garota que o convenceu a continuar. Depois de vencer um pré-quali, o quali e a primeira rodada da chave principal, ele não fez feio contra Roger Federer na Quadra Central e deu um lob no gênio suíço. 

Agora vamos descansar um pouquinho...

#Wimbledon #tennis #murray #serena #federer #djokovic #kerber #venus