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11 erros de português cometidos a todo momento na internet

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11 erros de português cometidos a todo momento na internet

Eu não estou aqui para julgar ninguém. A língua portuguesa é realmente bem complexa e o nosso sistema de educação é, digamos, uma porcaria. O resultado é uma população que vive em constante dúvida sobre como se expressar. Na era das redes sociais, em que todo mundo virou produtor de conteúdo, este tipo de erro fica cada vez mais em evidência. Então vamos repassar os mais comuns. Talvez você descubra algo que não sabia!

1. Escrever "porque" no lugar de "por que" só porque (rs) a frase não tem ponto de interrogação.

Esta eu coloco um pouco na conta das aulas ruins de gramática, que em grande parte simplificam a diferença de por que e porque desta forma: o primeiro é usado em perguntas e o segundo em respostas. Não é bem assim. O separado é a junção da preposição por com o pronome interrogativo ou indefinido que, e você pode substitui-lo por por qual motivo na frase. Veja só:

Eu não sei por que sempre faço papel de trouxa.

Eu não sei por qual motivo sempre faço papel de trouxa.

Não é uma pergunta e se usa por que. Já o porque é uma conjunção causal ou explicativa e você pode substitui-la por pois, uma vez que ou para que:

Você faz papel de trouxa porque quer.

Você faz papel de trouxa pois quer.

Achou a explicação confusa? Então vou entregar um truque para quem fala inglês: sempre que você estiver em dúvida, traduza a frase para o inglês e veja se você está usando why ou because. Why = por que e because = porque.

2. Evitar o por quê.

Por algum motivo, todo mundo sempre lembra que o porquê é o substantivo da turma e gosta de usá-lo. Já o por quê é sempre ignorado. Mas ele é necessário e importante. Tem a mesma função do por que, mas precisa de acento circunflexo quando está antes de algum tipo de pontuação:

Ninguém me dá um emprego e eu queria saber por quê.

3. Ver crase onde não tem.

Uma grande confusão que a galera sempre faz é achar que crase é questão de acentuação. Não é. As pessoas têm dificuldade de compreender quando ela existe porque não entendem muito de morfologia (saber quando o a é um artigo ou preposição) e de regência (saber quando o verbo ou nome demanda a preposição a). 

Crase é a junção do artigo a com a preposição a, que juntas formam o à (com o acento grave). Não tem muito segredo. Um truque velho é imaginar a mesma frase no masculino e ver se aparece o ao. Exemplo:

Estou à disposição.

Estou ao seu dispor.

4. Confundir mau e mal.

Mais um problema que seria rapidamente eliminado se a gente levasse as aulas de classificação das palavras a sério. Mau é um adjetivo, ou seja, uma característica, assim como bom, seu antônimo. Mal, por sua vez, é na maioria das vezes um advérbio, ou seja, refere-se ao modo de alguém/algo. Você não diria que o sofá que você comprou é um "bem sofá". Você diz que é um bom sofá. Então lembremos do truque fácil de pensar no contrário:

Mal é oposto de bem. (advérbios, modo)

Mau é oposto de bom. (adjetivos, característica)

5. Colocar hífen em todas as palavras compostas por justaposição.

A gente gosta de colocar hífen em todos os lugares porque fica mais bonitinho e fácil de ler. Tendemos a cometer este erro principalmente quando a primeira palavra termina com vogal. Mas não podemos fazer isso, a não ser que a palavra seguinte comece com a mesma vogal ou com H. Ou seja, as palavras semianalfabeto, autoajuda, autoestima, autoescola e afins (chegaremos ao afim mais tarde) não têm hífen. E micro-ondas tem. Lidemos com isso.

6. Trocar eu por mim e vice-versa.

Sim, o famoso "pra mim fazer". Está errado mesmo, porque o sujeito da oração é sempre eu, ou, como diz a galera, "mim não faz nada". Mas este erro também acontece ao contrário. Exemplo:

Ainda existe amor entre mim e você.

Sim, você provavelmente diria entre eu e você e estaria errado. O pronome oblíquo mim tem uma função na nossa língua e não podemos evitá-lo pelo medo do "pra mim fazer". Outro exemplo:

Para mim, é importante não dar CTRL C - CTRL V no tweet dos outros.

O mim está juntinho do para e a frase está correta, porque o sujeito da frase são as crianças.

7. Conjugar o verbo haver (no sentido de existir) no plural.

Você pode achar esta regra sem pé nem cabeça, mas ela existe. Haver no mesmo sentido de existir é um verbo impessoal e não vai para o plural. Ou seja:

Houve muitas mortes desnecessárias na última temporada de The Walking Dead.

Mas, se o verbo haver for auxiliar de outro com sentido de ter, ele varia:

Vários telespectadores haviam assistido ao episódio de Game of Thrones simultaneamente aos EUA.

8. Escrever a fim quando a ideia é de finalidade.

Este erro virou praticamente uma epidemia. Vamos lá: a fim significa uma coisa, e afim significa outra completamente diferente. 

A fim: locução prepositiva, com ideia de finalidade ou intenção. Ou seja, você está a fim de alguém, a fim de sair à noite, a fim de dormir 12 horas seguidas etc.

Afim: adjetivo ou substantivo, com ideia de similaridade e afinidade (HÁ!). Resgatando a frase que eu escrevi lá em cima:

As palavras semianalfabeto, autoajuda, autoestima, autoescola e afins não têm hífen.

9. Escrever em anexo ao invés de anexo(s).

Pois é, pessoal. Anexo é um adjetivo! Seu currículo não está "em anexo" (nem faz sentido esta construção, porque, se a ideia fosse de lugar, "no anexo" cairia muito melhor), ele está simplesmente anexo. E, como todo adjetivo, ele flexiona em gênero e número:

As fotos estão anexas.

10. Confundir sessão e seção.

Não tem segredo: sessão é algo que acontece em um intervalo de tempo (de cinema, esportiva) e seção é um espaço físico ou não (de um site, de uma loja, de uma cidade).

11. Escrever paralização.

É compreensível, porque muitos substantivos que terminam com ção vêm com um za logo antes. Mas o verbo é paralisar e o substantivo é paralisação.

É isso! Vamos valorizar nossa língua, porque ela é incrível, e ajudar todo mundo a se comunicar da melhor forma possível!

E se você achar algum erro neste texto, fique à vontade para corrigir! :)