MULHERES

Ressaltar que o marido de Tatiane é eleitor de Bolsonaro é irrelevante

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Foto: Reprodução/G1
Foto: Reprodução/G1

Tatiane Spitzner está morta, vítima do feminicídio que dizima mulheres em todo o mundo diariamente. Nós sabemos que, neste momento, alguma mulher está sendo agredida, estuprada ou morta por um namorado ou marido, ou até por um conhecido que acredita ter poder sobre o seu corpo. Porém, no caso da advogada de Guarapuava, as imagens das câmeras do prédio nos obrigaram a reagir, a não vê-la como estatística.

Luis Felipe Manvailer virou o vilão nacional e a nossa revolta traz uma série de reações irracionais. Por exemplo, perguntar por que Tatiane não se separou dele antes de ser morta, quando é mais do que óbvio que uma separação só teria antecipado seu assassinato. Também houve quem relacionasse o fato de Luis Felipe ser um eleitor de Jair Bolsonaro e fã do MBL (Movimento Brasil Livre) com a sua atitude machista e possessiva.

Veja bem, nós não queremos negar que Bolsonaro seja machista ou que quem o apoia provavelmente concorda com suas visões ultrapassadas sobre gênero e sexualidade. Porém, o feminicídio e o relacionamento abusivo infestam relações heterossexuais em qualquer nível socioeconômico (como o caso de Tatiane elucida) ou político.

Nossa desconfiança com esse tipo de discurso dos homens de esquerda se justifica, por exemplo, quando o professor Rodrigo Fonseca, da Escola de Cinema Darcy Ribeiro, no Rio, é afastado após 13 denúncias de assédio por alunas, e mesmo assim é defendido por seus amigos "progressistas".

Muitas mulheres se manifestaram em redes sociais dizendo que seus ex-namorados supostamente esclarecidos foram abusivos. Os mesmos que estufam o peito para tratar o machismo como algo específico da direita. Se há algo que une a mulher rica com a pobre, a branca com a negra e a de direita com a de esquerda é o medo constante de ter o mesmo destino de Tatiane um dia.