O Google está morrendo

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O Google está morrendo

Hoje, a competição pra ser "encontrado" é tanta que quem vira especialista nem precisa mais ter o que você estava procurando.

Ele talvez esteja todos os dias na sua vida. Você precisa achar alguma coisa na Internet e acaba fazendo dezenas de pesquisas em questão de horas. Mas o fato de que um produto é muito utilizado quer dizer que ele tem futuro a longo prazo?

Ele parece estar em seu ápice, mas está diante de um impasse: o conteúdo na Internet tornou-se menos acessível. É preciso pagar ou correr riscos para ter acesso ao que antes era fácil de encontrar. E o que é fácil de encontrar está causando até problemas de saúde pública.

O valor do Google enquanto um buscador parece assim estar diminuindo — às vezes a tecnologia acaba até distribuindo desinformação perigosa para bilhões de pessoas, sem se considerar diretamente "responsável" por isso.

As técnicas de otimização para o Google, que se agregam na sigla "SEO", estão virando uma quase-estética de aspecto duvidoso e repetitivo. Se a empresa não apertar o cerco na questão da qualidade, será mesmo que as novas gerações, mais críticas e acostumadas com a Internet, não irão considerá-lo um buscador de fake news?

O fim do Google

SEO pode ser só um jargão vazio se quem está falando do assunto também não entender de qualidade de conteúdo.

Mesmo as alternativas que são mais restritivas em seus resultados, como o DuckDuckGo, dependem sempre do que está disponível em cada idioma. Isto mostra que há ainda muito espaço a ser ganho na Internet, mas que sem uma aliança entre o conhecimento técnico e o editorial, estes mares abertos vão continuar na mão de atravessadores.

Se a empresa não tomar medidas mais sérias a respeito da qualidade e maliciosidade do conteúdo, e trabalhar mais firmemente para o amadurecimento e a proteção da web, terá conteúdo de cada vez menor qualidade a oferecer a seus usuários.

O Google está morrendo
Muitos acessos podem ser bons a curto prazo, mas os sites não estão conseguindo reter e envolver seus visitantes.

Terra de ninguém

O Facebook, para não perder na concorrência, antecipou-se à sua queda e já foi comprando quem viu que poderia acabar lhe substituindo. A empresa adquiriu o WhatsApp Messenger em 2014 por 19 bilhões de dólares e também o Instagram em 2012 por um bilhão. Com os acordos, tornou-se uma gigante de mídia que domina o ambiente virtual de inúmeros países do mundo.

Mas as redes também se atrofiam e as marcas envelhecem. É, afinal, de usuários e não de desenvolvedores e conteudistas que elas realmente sobrevivem. Como estamos hoje, o usuário final recebe informação de má qualidade e ainda paga com suas informações pessoais.

A burocratização da rede

O Facebook e o Google cresceram muito e precisaram formalizar-se junto às burocracias existentes em centenas de países ao redor do mundo. Envolveram-se em casos de justiça, tiveram de responder a juízes e receber muitas cartas de muitos advogados.

O resultado: a Internet não é mais a mesma. E para tomar o lugar da antiga Internet, que se esbaldava no livre compartilhamento de quase qualquer coisa, veio uma Internet de baixa qualidade, a "internet gratuita".

Essa Internet valorizou a criação independente de conteúdo, com o YouTube sendo o exemplo campeão no assunto, mas também fez do Google um portal de entrada para lugares duvidosos.

Esta imagem de insegurança poderá acabar manchando a imagem da empresa, principalmente para as novas gerações, que mais facilmente criarão consciência de como a Internet é um conjunto de redes menores e não uma única rede interligada.

Por sua própria origem humana, ela não é uma grande e única comunidade, mas um aglomerado de espaços divididos, todos conectados, mas ainda assim separados pelos mesmos abismos sociais e econômicos comuns em toda parte de nossa civilização.

O que vai se revelando, portanto, do outro lado da toca do coelho, é o mesmo ponto de onde tínhamos saído com nossos sonhos modernos de paz mundial: um espaço de conflitos e choques em constante desenvolvimento, onde cada pessoa tem que decidir por si mesma que espaços vai habitar.

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