ECONOMIA

Você consegue ter encontros sem gastar dinheiro?

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Desejamos o encontro com o(s) outro(s), mas convidamos para o consumo: cafés, restaurantes, festas, cinema.

Você consegue ter encontros sem gastar dinheiro?

Encontrar é de graça. Exige apenas a disponibilidade e o interesse dos envolvidos. Mas os lugares que frequentemente escolhemos acrescentam custos a alguns encontros que só deveriam ter um valor emocional.

Lembro de uma vez em que aceitei um convite para tomar um café com uma amiga que acabara de romper seu relacionamento. Era um momento tão importante para a fala e para a escuta, que não demos atenção ao menu de imediato. Em algum momento pediríamos algo. Mas na terceira intervenção do garçom, acabamos por atender ao protocolo.

Em locais de consumo, o encontro é permitido e incentivado, mas só depois de se consumir.

“Com licença, já querem fazer o pedido?”

O problema não está nos lugares — bares, baladas e restaurantes podem ser boas opções para estar com quem amamos, celebrar, se divertir, conhecer outras pessoas; mas sim na associação que estabelecemos entre encontrar e consumir.

Trouxemos a visão capitalista até para o centro de nossos relacionamentos mais pessoais. Ao convidar para um local de consumo, partimos do princípio de que a o outro tem e deseja gastar seu dinheiro para nos encontrar. Quantos bons encontros já não perdemos por questão financeira, sem que isso tenha sido revelado?

"Oi, meu querido, estou com saudades. Vamos tomar um café?"

Uma ida ao cinema seguida de um cafezinho, em São Paulo, sai em média R$ 30,00. Ir ao bar é ainda mais caro: um custo aproximado de R$ 12 por cada garrafa de 600 Ml de marcas de cerveja populares. Mais taxas de serviço, dependendo do local.

Muitos de nossos encontros poderiam facilmente acontecer com menos gastos e mais privacidade. Em praças, parques, ruas ou, pasmem, a nossa própria casa!

Mudar os lugares que frequentamos não basta. Precisamos repensar o lugar a partir do qual nos relacionamos com os outros.

O que realmente queremos quando convidamos o outro para um encontro?

Na maioria das vezes é presença, atenção, companhia, acolhimento, afeto. Nada disto está no menu ou na programação de nenhum lugar de consumo. Na próxima vez que fizer ou aceitar um convite, tente que seja para um local de verdadeiro encontro.