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Comunidade vegana: estilo de vida baseado no respeito a vida animal

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Muitas pessoas nos dias atuais preocupam-se com sua alimentação devido a motivos estéticos ou de saúde, e acabam optando por um estilo de vida onde alimentos industrializados e carnes não fazem parte de sua rotina alimentar. Nesse grupo de pessoas que investem em um cardápio mais saudável e natural estão os veganos.

Veganos, assim como os vegetarianos, não consomem qualquer alimento de origem animal, o que inclui além de carnes, ovos, leite e até mesmo gelatina. Mas as semelhanças entre estes grupos param por aí. Os veganos são assim chamados porque possuem também uma filosofia de vida que não se restringe apenas a uma alimentação diferenciada, mas a todo um estilo de vida de proteção e respeito aos animais.

Comunidade vegana: estilo de vida baseado no respeito a vida animal

Segundo pesquisa do Ibope, atualmente existem mais de 790 mil veganos na cidade de São Paulo, o que representa 7% da população paulistana. Além de não consumirem alimentos de origem animal, veganos também não utilizam roupas feitas a partir da pele dos animais, como roupas de lã, couro e seda, e boicotam qualquer produto cuja empresa realiza testes laboratoriais em animais. Circos, zoológicos, rodeios e pet centers que comercializam animais, também estão na lista negra dos praticantes do veganismo.

Luíza Martins, arquiteta, 29 anos, pratica o veganismo desde os 22 anos, quando devido a um problema digestivo, teve que aderir a uma alimentação sem carnes e leite. “Por um problema de saúde tive que cortar carne e leite do meu dia a dia e procurei por outros tipos de alimentos. Numa dessas buscas por alimentos mais saudáveis descobri o vegetarianismo e aos poucos fui me conscientizando também sobre a tortura que os animais sofrem para servirem de alimento para nós”. A forma como os animais são abatidos nos grandes frigoríficos foi fator decisivo para que Luíza parasse de vez com o consumo de alimentos de origem animal e se tornar uma praticamente do veganismo: “sempre amei os animais e quando comecei a entender melhor o método de abate a que eram submetidos, os testes realizados em laboratórios, resolvi radicalizar e boicotar qualquer tipo de produto que fosse feito as custas do sofrimento animal. É uma questão de meio-ambiente e humanidade”.

Luíza faz parte de uma comunidade vegana on line que conta com mais de 7.280 membros. É nesta comunidade virtual que os participantes trocam informações sobre o veganismo, debatem sobre a crueldade animal e formas para enfraquece-la, organizam protestos e também trocam receitas vegetarianas. Em fóruns e discussões veganas é recorrente usuários divulgarem aos membros da comunidade nome de empresas ou marcas que testam seus produtos em animais, instigando assim um boicote coletivo e até mesmo cartas de repúdio que são enviadas aos responsáveis dessas empresas.

Cardápio vegano ganha cada vez mais espaço em lanchonetes da cidade

A comunidade vegana em São Paulo vem ganhando novos adeptos que, em sua maioria, buscam adequar uma filosofia de amor e respeito aos animais com uma alimentação saudável. Segundo a nutricionista Milene Amarante, a alimentação vegana é rica em fibras e pobre em gorduras, o que evitaria o surgimento de doenças degenerativas e alguns cânceres, além de evitar o sobrepeso e reduzir a pressão arterial.

De olho neste nicho de mercado, alguns restaurantes de São Paulo, investem em cardápios que possam atrair a comunidade vegana, como é o caso de Renato Albino, proprietário de uma pequena lanchonete no bairro da Vila Mariana: “a procura por refeições mais leves e menos gordurosas nos fez repensar o cardápio e trazer mais opções aos clientes. O hambúrguer de soja hoje é um dos lanches mais pedidos da casa”.

Ainda assim, a comunidade vegana enfrenta a desconfiança por parte de alguns médicos quanto ao valor nutricional de sua alimentação, principalmente quando se trata de impor o veganismo às crianças. Dra. Simone Maluf, pediatra do Complexo Hospitalar do Mandaqui adverte sobre a necessidade da ingestão de carne para crianças: “a alimentação vegetariana com certeza é saudável, faz com que a criança tenha melhor qualidade de vida, evita o sobrepeso, o colesterol e ajuda a controlar os níveis de açúcar no sangue, mas a falta de carne pode levar a uma deficiência da vitamina B12, ferro e zinco, que são nutrientes importantíssimos para o desenvolvimento e estão presentes principalmente em derivados de origem animal”.

A comunidade vegana possui também um clube de vantagens online para seus membros e talvez, até mesmo para conquistar novos adeptos. Trata-se do clube do Vista-se, um site voltado a vegetarianos e veganos que oferece um cartão de benefícios a seus usuários com descontos em lojas virtuais e estabelecimentos por todo o Brasil. Vale lembrar que este cartão só é válido em locais que seguem a filosofia vegana.

Fazer parte de um grupo de veganos é mais do que simplesmente mudar hábitos alimentares, é ir além e transformar um estilo de vida baseado no respeito aos animais. A filosofia vegana defende que os animais, assim como todo e qualquer ser humano, tem direito a uma vida livre da violência e exploração. Para a comunidade vegana, os animais não estão a serviço do homem, e cabe a nós nos tornarmos consumidores conscientes para o bem da vida animal e de nossa saúde.