MÚSICA

Conversamos com o Scalene sobre disco novo e o que é fazer rock no Brasil hoje

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Conversamos com o Scalene sobre disco novo e o que é fazer rock no Brasil hoje

(Breno Galtier/ divulgação)

Um dos maiores nomes do rock brasileiro atual, o Scalene, está lançando seu quarto disco de estúdio, magnetite. A banda de Brasília já tocou nos maiores festivais do gênero do país, Lollapalooza e Rock in Rio, fizeram shows no exterior, ganharam um Grammy latino de "Melhor Álbum de Rock em Língua Portuguesa" e tiveram uma bela participação no programa Superstar, da Globo.

Neste domingo, dia 26, a banda lança o disco novo em São Paulo, com um show no Cine Joia, e o guitarrista da banda, Tomás Bertoni, conversou com a gente sobre magnetite e como é fazer rock no Brasil hoje.

O som no disco novo está um pouco diferente, muitos disseram que está mais brasileiro. Isso faz sentido pra vocês?

Sim, os indícios de mais influência de música brasileira já vinham surgindo. A música "Gravidade", do álbum Éter, nosso último antes do magnetite, é um exemplo disso. E ao acabar o Éter a gente já tinha uma noção de quais seriam os direcionamentos pras próximas composições. Da mesma forma que do Real/Surreal pro Éter nós exploramos novas vertentes, agregamos mais influências e evoluímos, aconteceu o mesmo do Éter pro magnetite.

Vocês realmente escutaram sons brasileiros durante o processo de composição desse álbum? O que vocês estavam escutando na época?

A gente sempre ouviu artistas brasileiros, foi mais questão de se reconectar com isso e ouvir, pesquisar um pouco mais. Ouvimos principalmente coisas da atual geração da nova MPB, da própria geração do rock, é muito bom e tem nos influenciado bastante.

Vocês já estão com um tempo de estrada, discos lançados, participações em grandes festivais, programas de TV, em uma época não muito boa pro rock no Brasil. Ainda há espaço para o rock aqui?

Pra mim é estranho falar sobre o momento do rock, que o rock não vive um bom momento porque eu escuto isso desde que eu entrei na música. Eu entrei na música já não tinha venda de CD, como antigamente, já existiam players, como Spotify, que estava surgindo, redes sociais. Já fomos inseridos nesse contexto atual. Para nós, o "nicho rock", está do jeito que está agora desde sempre. A gente tá conquistando nosso espaço, vivendo disso, se divertindo, tendo orgulho do que a gente faz. Eu acho que tá num momento bom de muita qualidade, crescendo aos poucos, de um jeito certo. E tá se expandindo um pouco, saindo dos estereótipos, agregando mais à... Nem falo mais a atual geração do rock, mas a atual geração da música brasileira porque os estilos estão se convergindo aos poucos, o que é muito bonito, é muito massa.

Veja o clipe "ponta do anzol", de magnetite: