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BBB permite que o público faça "justiça social"

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Não importa sua posição política, é consenso entre todos que o Brasil é um país de grandes desigualdades sociais. Se não conseguimos minimizar essas diferenças de forma política, qual o problema de usar um reality show televisivo para ajudar ao menos uma pessoa?

BBB permite que o público faça "justiça social"

Na história do BBB um número alto de pessoas tiveram suas vidas mudadas completamente graças ao programa da Globo. Já em sua primeira edição, o dançarino de axé e vendedor de coco Kleber Bambam levou o polpudo prêmio de 500 mil reais (uma fortuna em 2002) nos encantando com sua ingenuidade e seu bom humor. Mas foi só na quarta temporada que o Brasil começou a considerar o BBB como uma forma de fazer justiça social.

O elenco estava já escalado com os mesmos tipos de gostosas/gostosos e pessoas com profissões irreverentes, havia até os dois "pobrinhos" da edição representados pelo coveiro e pela Solange "Iarnuou". Porém, a reviravolta da temporada aconteceu quando duas pessoas entraram na casa através de um sorteio, e assim foram mandados para o reality a empregada doméstica Cida e o office boy Thiago que realmente representavam um lado mais pobre do Brasil. Ao final do programa não teve para ninguém, os dois garantiram respectivamente o primeiro e o segundo lugar no BBB4.

O brasileiro tem um histórico de se encantar com histórias de superação e de pobreza, basta ver o sucesso que programas como o de Geraldo Luis ou do Rodrigo Faro têm com o público. São histórias que motivam o público, a ponto da pessoa se sentir realizada quando aquela pessoa com problemas consegue uma casa própria ou realizar um sonho antigo.

Este nosso lado reflete também na forma como assistimos ao BBB, pois ficamos com um pensamento mais prático. Tal pessoa deixa de ser uma possível vencedora do reality porque ela conseguiria ganhar dinheiro do lado de fora fazendo evento, já outra que passa por uma situação mais delicada precisa mais do milhão e meio oferecido pela Globo.

A grande novidade nesse BBB18 é a presença de duas pessoas que precisam bastante do prêmio em dinheiro. Kaysar tem seu sonho de resgatar sua família de um país em guerra, e Gleici deseja ajudar sua família e sair de uma das regiões mais pobres do Acre. E com duas histórias tão tocantes assim, o público tem torcido ainda mais que o habitual. Bom para o programa, que ganha em repercussão.

Mas não considero um erro levar em conta a vida da pessoa fora na hora de definir quem deve ganhar o programa. Não se pode desconectar totalmente a pessoa de sua situação fora da casa. Gleici não pode entrar na casa e fingir ser uma pessoa sem problemas porque isso seria uma grande mentira, sua vivência e seus problemas estão atrelados a sua pessoa. Logo, se comover com seu drama também é se interessar pela participante. E que vença o brother que mais merecer!