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Aécio Neves também merece o benefício da dúvida

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Mesmo fora da disputa pelo Planalto em outubro, senador escolheu explicar acusações

Aécio Neves também merece o benefício da dúvida

É preciso ter coragem para se expor. Especialmente quando a exposição significa assumir erros. O senador Aécio Neves, que anda sumido dos holofotes, decidiu encarar essa.

Já fora da corrida por uma chance de tentar se eleger presidente no pleito deste ano, o político escreveu um artigo na Folha de S.Paulo e destrinchou pontos das acusações que pesam contra ele após as delações dos empresários da JBS virem à tona.

----- Esse é só um dos lados da história. Confira outro:

----- Falou sobre uma despesa inesperada em 2017, com a contratação de advogados, para qual pediu ajuda aos empresários. Disse que as conversas não buscavam obtenção de propina. Também explicou o envolvimento de sua irmã, Andrea, e de seu primo Frederico, os eximindo de qualquer culpa.

Ora. Se os recibos de aluguel suspeitos foram suficientes para parte da opinião pública presumir a inocência do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (mesmo após condenação), por que então o senador tucano não mereceria assim o mesmo benefício da dúvida?

Aécio falou sobre as acusações de corrupção passiva e tentativa de obstrução de justiça. Chamou de ingenuidade achar que não seriam falas interpretadas como atos de corrupção. De fato, foi ingênuo. Mas no meio político, também não é justo pensar que nenhuma conversa com empresários pode seguir acontecendo. Afinal, não é feita disso a política?

O senador do PSDB é alvo de nove inquéritos no Supremo Tribunal Federal. Mas é também inocente, até que os recursos se esgotem e se prove o contrário. Ou então deixemos as Cortes que se instale a barbárie neste País.

Outro lado: