DINHEIRO

Privatizações podem colocar a economia do país nos trilhos

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Dinheiro em caixa e Estado livre para o que importa são algumas das vantagens

Felipe Dana / Ag. Petrobras, via Fotos Públicas
Felipe Dana / Ag. Petrobras, via Fotos Públicas

Nenhum processo de mudança de controle em uma grande empresa é fácil. Pode ir para o setor público ou privado, qualquer alteração no quadro de acionistas envolve sinergias, cultura, cortes e ajustes complexos.

Por isso, talvez não seja tão simples assim privatizar tudo para resolver o problema do Brasil, como dá a entender que acha o economista Paulo Guedes, que tem a promessa de ser ministro da Fazenda do presidenciável Jair Bolsonaro, caso eleito.

Mas apesar de ser um processo difícil, num ponto dá para concordar: privatizações são uma das poucas medidas que podem ajudar a colocar a economia do Brasil numa rota de crescimento consistente.

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Esse é um lado da história. Veja outro:

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Para quem duvida, não é preciso ir muito longe para encontrar argumentos. Basta sugerir uma busca rápida na evolução dos números da Vale (antes, do Rio Doce) para ver o bem danado que a privatização à fez, 20 anos atrás. Aos trancos e barrancos, é verdade, como toda empresa sujeita às regras do mercado, a mineradora registra hoje lucros anuais estratosféricos, na casa dos bilhões de dólares.

Mas se ainda assim é preciso destrinchar os motivos pelos quais as desestatizações podem ajudar o país, que assim seja:

Dinheiro em caixa

Quando alguém de sua família precisa de dinheiro e não sabe de onde levantar, as alternativas são várias. Podem ir até o afundamento em empréstimos bancários. Salva-se quem tem patrimônio e dele pode se desfazer. Vende-se carros, imóveis e o que mais for preciso.

Com um país, também pode ser assim. O Brasil precisa de dinheiro e vender parte do patrimônio pode ser uma boa maneira de levantar algo. E o bônus vem com uma, duas, três empresas problemáticas a menos onerando a máquina.

Vide o exemplo da Eletrobras. O governo quer se livrar da estatal energética – que só dá problemas - e a previsão é de arrecadar R$ 12,2 bilhões com a privatização.

Um canal a menos para a corrupção

Será que a presença de representantes do governo dentro dos conselhos e diretorias da Petrobras facilitou a corrupção na empresa, ou será apenas coincidência?

Há quem possa argumentar que empresas como Odebrecht, Camargo Correa e tantas outras construtoras são privadas e também estavam envoltas nos esquemas revelados pela Lava Jato. Isso é verdade, mas também vale lembrar que os atos de corrupção aconteceram em contratos de prestação para estatais.

Estado livre para o que importa

O Brasil já deixou de ser dono de sua maior mineradora, está tentando sair da Eletrobras e poderia deixar até o petróleo para mãos privadas. Quem sabe assim sobraria mais tempo e recurso para cuidar do que o Estado deve, mas não provê.

Outro lado