AMOR

ESSE TEXTO NÃO É SOBRE A QUINTAFUNK

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Esse texto é sobre o que veio depois dela. É sobre você ter lembrado da vez que a gente pegou um uber depois da SParte e sobre a luz do sol.
Entramos no táxi quando ainda estava escuro. Só saímos dele quando tinha ficado claro. Nesse meio tempo, tudo mudou.
Foi a primeira vez que eu encaixei a minha cabeça no seu pescoço e que você fez carinho na minha mão. A luz do sol trouxe com ela algumas observações, e foi bem naquele táxi que as coisas se esclareceram: eu sabia que a partir daquele momento a nossa relação não era mais só física.
Tudo estava em paz, o que é absurdamente incomum para um horário de pico em São Paulo. Os carros pareciam não fazer tanto barulho, a música ruim que o taxista colocou não parecia mais tão ruim e você não parecia mais apenas uma pessoa que eu conheci havia poucas semanas.
Você se encostou em mim procurando conforto e parecia estar tirando uma soneca. Eu fechei meus olhos também, mas não consegui dormir. As borboletas do meu estômago tinham subido para o meu cérebro e estavam voando por lá a 120 km/hora. Pensei que eu não sabia o que seria de nós agora, já que a partir dali eu nunca mais conseguiria te olhar na aula e não sentir nada. Não conseguiria passar reto por você nos corredores. Nós tínhamos estabelecido uma conexão. Se iríamos alimentá-la ou não só dependia de nós, e isso foi o que me tranquilizou e estressou por muito tempo.