COMPORTAMENTO

Às vezes, MasterChef é mais jogo do que cozinha

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Às vezes, MasterChef é mais jogo do que cozinha

Fotos: Carlos Reinis/Band

Assistir a realities culinários pode ser uma fonte válida de estudos para fãs de gastronomia, mas é preciso ter em mente que estamos diante de uma peça de entretenimento antes de tudo. Isso ficou bem claro em pelo menos dois momentos do episódio de 21 de novembro de MasterChef Profissionais, quando competidores se viram diante de situações que dificilmente enfrentariam em uma verdadeira cozinha profissional.

Depois de serem chefiados por Fogaça e Jacquin em provas de serviço anteriores, foi a vez de Carosella capitanear os cozinheiros. O cardápio para trinta clientes tinha seis opções de pratos. Entre eles, um sorvete de chocolate que precisou ser iniciado apenas duas horas antes da chegada dos clientes ao restaurante.

Nenhum chef em sã consciência planejaria a preparação dessa maneira, exceto sob circunstâncias muito especiais – normalmente, o sorvete seria feito com muitas horas de antecedências, ou até no dia anterior. Como na prova liderada por Fogaça, Raissa não conseguiu novamente entregar a sobremesa no ponto pretendido e serviu um creme gelado (antes de paçoca, agora de chocolate). O fato de dois dos três jurados terem elencado um sorvete no cardápio de suas provas de serviço levanta a suspeita de que tais inclusões tenham sido feitas em nome da adrenalina do campeonato, sob orientação dos produtores ou roteiristas do programa.

Às vezes, MasterChef é mais jogo do que cozinha

Quem também sentiu na pele (nesse caso literalmente) a temperatura do programa foi Francisco. Na prova eliminatória, a missão era entregar uma lagosta Wellington e o cozinheiro optou por fazer a preparação dentro de um ramequin.

Para chegar ao ponto ideal da massa folhada e da proteína, o prato assou o máximo de tempo possível e Francisco deixou o empratamento para último minuto. Ele precisou manipular os ramequins muito quentes e, para não ser desclassificado (e consequentemente eliminado), o competidor sofreu fortes queimaduras nas palmas das mãos. Em um restaurante da vida real, o prato seria servido com cinco minutos de atraso, sem que algum membro da equipe precisasse se machucar no processo. Mas aí não tem tanta emoção na narrativa...

Apesar disso, o sacrifício de Francisco foi recompensado: ele foi o campeão da noite. Por outro lado, Raissa foi eliminada por não entregar o prato no ponto certo e com deficiências no tempero.