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MasterChef: A culpa nem sempre é do peão

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Foto: Carlos Rennis/Band
Foto: Carlos Rennis/Band

“O restaurante já vai abrir e as coisas ainda não estão prontas? Chegasse mais cedo!” Segundo Eric Jacquin, é assim que ele fala com sua equipe de cozinha quando o trabalho está atrasado. Paola Carosella corroborou a gentileza. É por esse tipo de tratamento que não estou interessado em trabalhar na cozinha de um grande restaurante.

Em uma cozinha profissional, toda equipe rala, trabalhando em pé durante todo o turno, em escalas de 6X1, e com salários risíveis. É desse tipo de profissional que os chefs exigem uma entrega quase sobre-humana.

Nos episódios do MasterChef e outros realities, as provas são concebidas para que os pratos sejam entregues no laço, sem muita folga no relógio. Isso gera episódios dramaticamente mais intensos e colocam uma boa pressão nos participantes, o que cria uma atmosfera competitiva e emocionalmente mais volátil. Rita sentiu bem o que isso significa. Em sua espiral de ansiedade, se desestabilizou e trabalhou como uma frenética.

Foto: Carlos Rennis/Band
Foto: Carlos Rennis/Band

Por sorte, seu talento no fogão é maior do que seu desespero. Por isso, foi a melhor na reprodução do prato de Carosella na prova eliminatória. Vinicius não foi tão feliz e deixou a cozinha com seu discurso do povo do marketing.

Por outro lado, na cozinha da vida real, as coisas poderiam ser bem diferentes. Se está tudo atrasado, é preciso analisar se o problema não é de gestão. Será que os cozinheiros não estão bem movitado$? Será que a equipe não é pequena demais para o trabalho? Será que o cardápio não é complexo demais para a cozinha do restaurante? Claro que a saída mais fácil é culpar o peão.

Toda vez que minha equipe de cozinha está adiantada e pode fazer mais pausas durante um evento, tenho certeza de que meu papel está bem desempenhado. Normalmente isso diminui minha margem de lucro, mas compensa ter valores mais voltados para o fator humano do que financeiro.