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MasterChef: Participantes querem virar famosos, não cozinheiros

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 MasterChef: Participantes querem virar famosos, não cozinheiros
Foto: Carlos Reinis/Band

A gastronomia está em alta e muito disso se deve ao sucesso dos realities culinários. Por conta da glamourização da profissão, muitos dos candidatos da nova temporada de MasterChef entraram no programa com discursos semelhantes. Estão descontentes com seus empregos atuais e esperam que a cozinha seja a luz no fim do túnel.

Realmente, a moda ajudou a valorizar o profissional um pouco mais, mesmo que algumas propostas ridículas ainda sejam parte da rotina de um chef. Mesmo assim, alguns perrengues são inevitáveis e parecem não estar na balança de decisão dos participantes. Como já dito anteriormente nesse espaço, a dor é companheira do cozinheiro. Longas horas em pé, cortes e queimaduras (por calor, ácido ou pimenta) ficam no corpo, mesmo depois de o serviço ter acabado. Outro percalço é ter de trabalhar em horários que costumam ser dedicados ao descanso, como madrugadas e finais de semana.

Se tudo isso não desmotiva o sonho, há os salários risíveis em boa parte das cozinhas profissionais. Muitos candidatos do MasterChef certamente ganham dez vezes mais do que um ajudante de cozinha, um dos primeiros degraus da carreira. Ou o dobro de um chef executivo, o posto mais alto dentro de uma cozinha. Essas mesmas pessoas não teriam de fazer um grande malabarismo em seus orçamentos para custear um breve curso de qualificação. Se desistem depois da eliminação na fase inicial, não dá para botar muita fé nessa vontade de mudar de campo profissional.

Entretanto, ex-participantes do MasterChef que conseguem algum destaque no programa podem pular etapas e ter ganhos financeiros com base na grife da atração televisiva (e não tem nada de errado nisso). Portanto, se o sonho é realmente viver de cozinha, há caminhos acessíveis, mas na telinha aparentemente o objetivo é a fama mesmo. E tá tudo bem, só é importante deixar as coisas às claras.