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Top 10: Cinema Brasileiro 2017

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Top 10: Cinema Brasileiro 2017

1. Como Nossos Pais

Assisti esse filme com muito medo de me ver sendo retratado como o macho-sonhador-que-não-divide-o-fardo-com-a-parceira. Só esse exercício de empatia já vale, mas o roteiro é equilibrado e realista nos pequenos detalhes que muitas vezes passam despercebidos. Só tem aquela minha ressalva de sempre: o sotaque. Maria Ribeiro não consegue disfarçar o tom carioca, mas sua personagem faz parte de uma família paulistana.

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2. Corpo Elétrico

Mais uma vez vamos elogiar a capacidade do cinema de nos fazer vivenciar experiências que não teremos em nossa vida. Com uma profusão e pluralidade de personagens gays, o tesão das cenas rompe as barreiras da orientação sexual. Há ainda o subtexto social muito consciente, que faz críticas a um sistema opressor do operário.

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3. Redemoinho

Os conflitos latentes entre os personagens se revelam em um ritmo próprio, que encaixa peças nesse quebra-cabeças de relacionamentos desfeitos e de acontecimentos não-discutidos. Um elenco afinado entrega essa imersão em temas universais, que ocorreram na pequena cidade mineira, mas poderiam se desenvolver em qualquer parte do mundo. Para completar, todo mundo com sotaque mineiro em dia!

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4. Bingo – O Rei das Manhãs

O Birdman brasileiro se esmera pela honestidade, com valores dos anos 80 e com os eventos reais da vida do ator que inspirou o roteiro. Vladimir Brichta entrega uma atuação memorável, em um arco dramático intenso, e dá conta do lado palhaço, do lado ator frustrado e do lado pai em busca de manter o laço com o filho.

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5. As Duas Irenes

Quando um homem escreve e dirige um romance de formação feminino, a regra diz que o resultado será desastroso, sem a vivência necessária para tocar em temas tão únicos. Por conseguir subverter a sina, o longa foi uma das melhores surpresas do ano. As jovens atrizes funcionam bem juntas, o roteiro tem coragem de abordar assuntos poucas vezes vistos sem fazer alarde.

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6. O Filme da Minha Vida

Em seu terceiro longa como diretor, Selton Mello imprime a mesma sensibilidade de O Palhaço (2011), mas agora é o coadjuvante. Seu protagonista faz uma jornada freudiana para tornar-se um homem, com as descobertas do amor, do sexo e das dificuldades do amadurecimento. Os demais personagens brilham em momentos concebidos exatamente para criar um cenário mais rico do ponto de vista humano.

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7. Martírio

Durante décadas, Vincent Carelli registrou a luta indígena pelo reconhecimento de suas terras junto ao governo. Como em Cabra Marcado para Morrer (1984), a exploração desse assunto específico explica o macrocosmo chamado Brasil, suas dinâmicas sociais cruéis e sua elite que não aceita ceder 1 cm de seus privilégios, nem que seja necessário apoiar um golpe de Estado.

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8. Danado de Bom

Documentários musicais são uma presença constante nos melhores filmes brasileiros a cada ano, por conta de uma produção constante e de boa qualidade. Dessa vez, a história do pouco conhecido compositor de forró assumiu o posto, com boa pesquisa, entrevistas ao mesmo tempo respeitosas e sem medo dos assuntos espinhosos e uma seleção inteligente na trilha musical.

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9. A Gente

O final da trilogia do cárcere de Aly Muritiba é o melhor episódio das discussões sobre os personagens do sistema carcerário. Com sua experiência pessoal como agente penitenciário e sua inteligência cinematográfica, o diretor consegue apresentar o dia a dia desses silenciosos profissionais em um filme com momentos primorosos.

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10. A Cidade onde Envelheço

Duas jovens imigrantes portuguesas, uma que chega cheia de energia e vontade de conhecer tudo que conseguir; uma que já está habituada com o Brasil, mais introvertida e que cogita a ideia de voltar para a terrinha. Com esses opostos que se completam, o filme encanta com situações quase documentais que encontram eco nas experiências pessoais de qualquer pessoa que abandona o lar, seja para cruzar o oceano ou apenas para sair da casa dos pais.