NuBank, bancos digitais e a força do dinheiro velho

NuBank, bancos digitais e a força do dinheiro velho

NuBank, bancos digitais e a força do dinheiro velho

Desde que os lendários “Banco di San Giorgio”, em Gênova, e o “Monte dei Paschi di Siena”, na Toscana, foram fundados no distante e quase mítico séc. XV, o alcance e a distribuição dos serviços bancários realmente superou as expectativas dos seus primeiros idealizadores.

De uma simples instituição financeira com o modesto objetivo de guardar e emprestar dinheiro, entre outras operações não tão transparentes, os bancos tornaram-se verdadeiros agentes políticos – com marcas capazes de, imediatamente, associar êxito financeiro ao conforto que ele pode proporcionar.

Falhando em ser simplesmente um banco para os clientes e focando em serem bancos a seu próprio serviço, as instituições financeiras nacionais foram pegas de surpresa há alguns anos com a súbita invasão de alternativas digitais às transações e contas bancárias. Algumas, como o MercadoPago, nunca deixaram seu universo. Outras, como o NuBank, causaram um tremor mais que considerável.

À medida que a digitalização encurtou as distâncias, transformando as relações numa rede, trouxe também inúmeros escândalos de violação de privacidade, vazamento de informações e desvio de dinheiro. Ainda que todos esses riscos se apresentem, e tenham sido parte significativa do que retardou a informatização no setor bancário, as tecnologias atuais mostram que segurança também é uma questão de minimizar riscos antes de ser sobre adicionar barreiras.

Os bancos sempre pensaram em segurança em termos de cofres, portas giratórias e armas de fogo. Mas quem irá assaltar uma agência que não existe? Ou fazer débitos indevidos em um cartão cujo extrato sai em tempo real no celular do dono?

NuBank: vitória pelo design

Antes da chegada do NuBank já havia, no mercado nacional, algumas tecnologias que permitiam atingir um resultado bem parecido.

Mas depois de um sucesso estrondoso, a opinião é quase unânime! Na era da bancarização, em que o objetivo seria algo como 100% dos indivíduos adultos com conta no banco, surge o NuBank, avaliado em mais de US$ 600 milhões de dólares, e que está entre as opções mais seguras, confiáveis e sem burocracia do mercado financeiro – além de zero tarifa mensal e taxas de juros para crédito no rotativo de 7,5.

O NuBank foi um sucesso estrondoso pois chegou desvinculado dos grandes bancos, que se protegem atrás da enorme barreira burocrática, o Cerberus do Dinheiro Velho. A empresa veio oferecendo não só uma conta bancária mas também um mínimo de dignidade: todo mundo estava desesperado para livrar-se da agência bancária, um lugar que parece só servir para perder tempo e passar constrangimento.

A experiência, para boa parcela da população, em especial nas periferias e no interior do país, há anos é humilhante. Ao que parece, o custo da estrutura não levou os grandes bancos a se perguntarem como poderiam modernizar o acesso às contas: os fez somente abandonar uma enorme parte da clientela como "não-lucrativa".

Alguns anos depois, porém, veio a resposta no clássico estilo "empreendedor": o banco digital. A visão estreita já custou a atenção de mais de cinco milhões de clientes que esperam ansiosamente para mudar de vez e esquecer os serviços bancários tradicionais.

Correndo atrás

Um dos exemplos de bancos correndo atrás desse prejuízo é o Bradesco, que rapidamente lançou o Next com medo de ter falhado em antever a sua ruína. O Banco possui um dos melhores aplicativos para celular, que foi pioneiro na intuitividade, na segurança e na facilidade de pagamentos, mas não previu o que muitas áreas do mercado brasileiro ainda parecem ignorar: há muita gente jovem em nosso país com ideias brilhantes na cabeça sendo subestimada pelos velhos ricos e suas velhas ideias.

O Next vem para oferecer também um banco sem agências, sem tarifa, sem cafezinho, com ferramentas de educação financeira e uma interface colorida e atraente. O marketing tenta vender o "xodó da galera jovem", preferido dos pais e mães de família, a solução para quem já não tem o mesmo vigor de outros tempos para ir até a agência ficar de pé fazendo o quê? Mexendo no celular!

A opção concede taxas de juros reduzidas, tarifa mensal a partir de R$9,95 ao mês (com alternativas gratuitas).

Mais fácil impossível

Para abrir uma conta e se cadastrar nos serviços basta ter pelo menos 18 anos, documentos originais com foto e seguir o passo a passo indicado pela empresa.

E você, vai criar sua conta digital, ou vai continuar acreditando que seu gerente um dia vai te dar o cartão secreto e você nem vai mais precisar se juntar à plebe na "agência com fila"?

Quer você prefira a sujeira em cima, debaixo, do lado ou bem longe do tapete, é provável que a digitalização crescente do dinheiro mude radicalmente a distribuição de renda no futuro, e isso tem muito a ver com você e com a mão firme que parece estar esmagando a todos nós nesse momento.

Seja o primeiro a curtir!

Comentários

avatar

As pessoas também curtiram

Histórias relacionadas
1.Vingadores: Como escolheram qual personagem iriam morrer? 
2.Como um homem chamado de homofico e sexista chegou a se tornar presidente do Brasil?
3.Deus é Mulher, e seu nome, é Elza Soares
4.Como viajar com pouco dinheiro? 
5.Quais são as comidas mais estranhas do mundo?  
6.Pai desmaia com o nascimento do filho e foto viraliza
7.A responsável pelo algoritmo que encontrou o buraco negro tem só 29 anos
8.Filmes de Super-herói que superaram 1 bilhão de bilheteria
9.Devagar e silenciosa: Brasil vive epidemia de Sífilis e ninguém fala disso
10.Pesquisa sobre fake news revela que 22% dos seguidores de Bolsonaro são perfis falsos
500x500
500x500