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30 segundos...

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30 segundos...

Nós estamos vivendo em modo “piloto automático”.

Estamos vivendo em loop.

Bom, pelo menos, a maioria de nós.

Depois de ter comprado um relógio despertador para substituir o meu smatphone, evitando que a minha primeira conexão do dia sejam as notificações digitais, voltei-me em um novo momento de reflexão sobre o tempo; ele passa, não volta e nós não estamos observando a nossa vida como deveríamos.

O despertador me fez perceber o quando as primeiras horas da manhã podem ser as mais importantes de todas as outras horas que virão pela frente. Não o aparelho, mas o propósito ao qual eu o destinei.

Mas, será que nós, mesmo depois de conseguirmos nos concentrar na nossa existência por um breve momento que seja, conseguimos serenidade suficiente para voltamos para esse estado, em outra hora do dia?

Foi partindo para as próximas horas do dia, parado em um sinal de trânsito, que eu percebi como a maioria de nós não tem 24h por dia.

Em um breve momento, parado no sinal de pedestre, aguardando que ele ficasse verde, percebi como todas aquelas pessoas estavam correndo contra o tempo.

Sem exceção: todas as pessoas que passavam por mim, queriam atravessar a rua antes mesmo do sinal ficar verde.

Aquele sinal durou no máximo 30 segundos. Mas as pessoas que estavam passando ali preferiam arriscar e atravessar a rua antes que ele se abrisse e o caminho ficasse seguro.

Um caminho configurado para ser ignorado até o ponto de chegada para a maioria. Um caminho vivido em modo piloto automático…

30 segundos: 30 segundos foi o tempo que eu precisei para refletir sobre essa vida em loop que estamos vivendo.

Em 30 segundos, eu consegui observar tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo. Tantos sons diferentes ao meu redor. Tantas expressões diferentes.

Tantas pessoas diferentes. Tantos caminhos diferentes que, por 30 segundos, precisariam esperar o sinal se abrir antes de seguir em frente.

Estado de Loop…

O vento, que às vezes soprava muito levemente, mostrava que eu estava ali, sem saber quando o sinal se abriria.

Parado. Observando. Eu optei por observar.

Optei por usar aquele momento para prestar atenção em tudo que acontecia ao meu redor. Optei por respirar fundo. Afinal de contas, eu ainda não sabia o tempo que o sinal demoraria para abrir novamente.

Felizmente eu ainda estava respirando.

30 segundos. Estou escrevendo um texto sobre os 30 segundos que eu fiquei parado no sinal, observando as pessoas vivendo em um loop que o fluxo cotidiano nos coloca.

Todas aquelas pessoas que passavam desesperadas no sinal vermelho, junto às pessoas ainda mais impacientes dentro dos seus carros com as expressões faciais travadas, estavam vivendo em modo piloto automático.

Tem gente que diz que não tem tempo pra nada. Tem gente que diz que a vida é assim e pronto. E a maioria concorda que todos nós temos 24h.

Algumas dessas horas nós passamos em estado profundo de sono, uma simulação diária da morte. O restante, ou estamos em loop, ligados no piloto automático, ou estamos parado observando, esperando por 30 segundos.

Eu diria que foram 30 segundos muito bem vividos, pois o resto do meu dia, sinceramente, a rotina se fez presente e eu acabei entrando em modo loop.

Reflita. 
Se puder, quando algum sinal te pedir pra parar.

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