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"As Aventuras de Poliana": o SBT aprendeu a fazer novela sozinho (e ainda derrotou a Record)

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Se alguém falasse pra mim há uns 10 anos que o SBT teria um núcleo de dramaturgia sólido e de sucesso, eu daria muita risada porque isso parece algo muito improvável. Mas não é o que está acontecendo com a emissora após finalmente achar um nicho no qual se dá muito bem.

(Divulgação/SBT)
(Divulgação/SBT)

Em 2012, o SBT decidiu reviver o núcleo de novelas para produzir um remake de "Carrossel", um sucesso nos anos 90. Falar que a versão brasileira foi um sucesso é até pouco, porque a trama de Maria Joaquina, Cirilo e Professora Helena foi um verdadeiro fenômeno, rendendo discos, filmes, desenhos animados, séries derivadas etc. Mais do que isso, o SBT se sentiu animado a continuar a produzir novelas para o público infantil, um nicho que não era explorado decentemente desde que o próprio canal parou de exibir as novelas jovens da Televisa (que, por sua vez, foram canceladas no México pela baixa audiência).

Com "Chiquititas", "Cúmplices de um Resgate" e "Carinha de Anjo" o SBT manteve a mesma estrutura: ele escolhia uma novela que fez sucesso em algum momento no Brasil, pagava à dona das marcas (Televisa ou Telefé) e produzia versões brasileiras. Ao contrário da primeira versão de "Chiquititas" (aquela dos anos 90, com a Fernanda Sousa) que o SBT fazia um ctrl c + ctrl v, essas novas versões são supervisionadas por Íris Abravanel. A função da esposa do Silvio não era apenas adaptar as tramas ao Brasil, e sim criar histórias novas que encantassem as crianças daqui. E todo o setor musical transformou as novelas em grandes celeiros de videoclipes com muitas músicas para vender CD.

O esquema foi funcionando tão bem que chegou a hora do SBT andar com suas próprias pernas. A ideia de "As Aventuras de Poliana", a nova novela do canal, foi toda de Íris Abravanel com todo o conhecimento adquirido adaptando novelas latinas. Foram anos de ensaio até o Silvio Santos se livrar das franquias latinas e apostar numa novela 100% nacional, e o resultado não podia ser mais animador. A trama, baseada no livro "Poliana", tem um nível beeeem alto.

"As Aventuras de Poliana" mantém a mesma qualidade das novelas anteriores do SBT. Os diálogos são bem feitos e não menosprezam a inteligência do público de casa. Embora passe valores importantes como amizade e companheirismo, os personagens não agem como imbecis e aprontam como crianças de verdade. Somando a isso, há núcleos com personagens mais velhos para atrair também os adultos que querem apenas uma dramaturgia simples sem muita firula com as da Globo ou as da Record.

A aposta por uma novela nacional deu super-certo, e o SBT conseguiu uma audiência que não via há tempos. A estreia deu uma média de 14 pontos enquanto a Globo dava 25 pontos (exibindo jogo de futebol) e a Record sofria com 9 pontos. Para se ter uma ideia dos índices, Poliana se deu melhor que Dulce Maria em "Carinha de Anjo": a novela infantil passada tinha uma média de 10 pontos de média. Com os atuais números, "As Aventuras de Poliana" se aproxima do resultado do fenômeno "Carrossel".

A única coisa que conta como ponto negativo até o momento são os planos para o futuro: o SBT planeja 700 capítulos para Poliana, cerca de 200 a mais que a já-enorme "Chiquititias". Desse jeito a Poliana vai terminar a trama com 37 anos de idade.