ENTRETENIMENTO

Em tempos de "Lady Night", quem tem "Adnight" passa fome

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Depois de uma primeira temporada sofrível, Marcelo Adnet está de volta à Globo com seu talk show que não é tão-talk-show-assim na tentativa de afastar o estigma de que o "Adnight" é um programa ruim. A julgar pelo episódio de estreia da nova leva de episódios, podemos dizer que Adnet conseguiu mudar nossa opinião sobre seu programa. Ele deixou de ser ruim, agora ele é PÉSSIMO.

Em tempos de "Lady Night", quem tem "Adnight" passa fome

(Reprodução/ Globo)

O "Adnight" era o típico programa que queria muito fortemente ser uma revolução no gênero. Comandado pelo inteligentíssimo Adnight e custeado pelos recursos infinitos que só a Rede Globo de Televisão poderia oferecer, o programa tentou se aproveitar da veia de improviso do Adnet. Só que alguém não avisou para a produção que todo o orçamento com bailarinos e carros de época, além dos jogos ensaiados e os convidados travados, não são elementos que ajudam a passar naturalidade. O resultado era ver algo roteirizado e sem espaço algum para improviso.

Bem, mas isso são águas passadas e a Globo está disposta a dar uma nova chance para o humorista e seu "Adnight Show" (eles até colocaram a palavra show pra tentar emplacar pelo menos na numerologia). Para isso, fizeram uma mudança radical em sua estrutura: agora Adnet está sozinho num palco gigantesco (e vazio) acompanhado por uma banda e uma plateia sentada como numa arquibancada de circo (tem até uma senhora vendendo pipoca). Em todo programa ele receberá três artistas que devem participar de esquetes divertidas e conversas de puro improviso. Bem, pelo menos esse é o que deve estar escrito no release do programa.

Em tempos de "Lady Night", quem tem "Adnight" passa fome

(Reprodução/ Globo)

O que acontece na prática é um dos programas de humor mais constrangedores que já apareceram na Rede Globo (e olha que a emissora já lançou o "Divertix" e o "Tomara que Caia"). O novo "Adnight" parece apenas uma desculpa para Adnet tentar provar o quanto é bom de improviso, tem um vasto conhecimento de informações e como é amigo as celebridades. E ele vai tentar fazer isso DE QUALQUER MANEIRA.

Ao perguntar qual era o time do convidado Renato Góes, Adnet cantou o hino tanto do time quanto o do rival. Joelma dava uma informação e isso já era deixa para que Adnet mostrasse sua habilidade em rimas compondo uma música do nada. Sem qualquer sutileza, o apresentador perguntava algo sem sentido que viria a ser um gancho para uma brincadeira super ensaiada.

No programa de estreia, as únicas situações realmente de improviso que aconteceram vieram de duas mulheres, a convidada Fernanda Gentil (que estava divertidíssima) e a atriz Mila Ribeiro (que interpretou maravilhosamente bem a presidenta Dilma ao lado de uma caricatura bem ruinzinha do Temer feita pelo Adnet).

Mas um fator externo acaba tornando o "Adnight" um programa ainda pior: a competição indireta com o "Lady Night" do Multishow. 

Em tempos de "Lady Night", quem tem "Adnight" passa fome

(Reprodução/Multishow)

O talk show de Tatá Werneck tem uma produção infinitamente mais humilde, mas consegue ser muito mais divertido e solto. A humorista brinca com naturalidade, mostra seus dons de uma forma que não parece egocêntrica e ainda arranca declarações interessantes dos convidados. Veja bem, até o engessado Neymar se soltou na entrevista do "Lady Night"!

A impressão que fica é que enquanto o Adnet tenta desesperadamente acontecer na TV aberta com seu talk show, Tatá Werneck já aconteceu na televisão paga e inclusive já deveria estar com seu programa sendo exibido na Globo. Pelo menos seria uma chance de darmos alguma risada.