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Estaria a Record aplicando as novas regras do trabalho em seus apresentadores?

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Após a intervenção do presidente Temer, o Brasil se viu mergulhado numa série de novos empregos intermitentes, ou seja, vagas de trabalho com tempo específico de duração. Ou seja, na teoria agora os patrões podem legalmente contratar funcionários para trabalhar apenas três vezes por semana, por exemplo. E o que isso tem a ver com televisão? Bem, tá parecendo que a Record abraçou de vez a causa e tem praticado isso com seus apresentadores.

Estaria a Record aplicando as novas regras do trabalho em seus apresentadores?

(Reprodução/Record, montagem)

Recentemente me chamou a atenção duas notícias envolvendo funcionários da Record. Em primeiro lugar, Marcos Mion viu seu programa "Legendários" (que começou sendo uma versão do "Pânico"/"CQC" e acabou se transformando num programa de auditório para jovens) ter seu final decretado. Segundo as notícias na ocasião, Mion iria apresentar somente o reality "A Casa" somente nos meses de exibição do programa e aí pronto. 

Outra notícia que acaba se relacionando a essa é que a mesma emissora demitiu toda a equipe do programa do Gugu, e agora o apresentador do pintinho amarelinho terá de mudar seu contrato para apresentar um programa de temporada. Sugeriram para o Gugu a vaga de substituir o robô Roberto Justus no "Power Couple", mas ele ainda estaria analisando essa roubada.

Essa nova estratégia da Record de transformar seus apresentadores em "freelas fixos para programas com temporadas" lembra muito o projeto do trabalho intermitente do Temer, mas não é necessariamente novo para a emissora. A Xuxa, por exemplo, perdeu seu programa fixo e teve que se virar apresentando um reality show que a Record havia comprado e precisava de um apresentador (o "Dancing Brasil"). No caso da loira, deu certo.

Em outros canais é bem comum esse tipo de contrato de trabalho por obra, mas por enquanto funcionava apenas com os atores da dramaturgia. A galera que faz novela na Globo, por exemplo, muitas vezes tem contrato valendo apenas para o tempo que aquela novela estiver no ar. Depois disso, rua.

A não ser que seja uma Gloria Pires ou um Lima Duarte, aí nesse caso o artista é contratado da casa e ganha um salário. No SBT funciona da mesma forma, os atores mantém vínculo com a casa somente nos (muitos) anos em que a novela infantil vigente estiver em exibição. Depois disso, tchau e bênção. Mas, até então, o papel de apresentador era garantia de emprego fixo.

Se nem um Gugu tá conseguindo manter um contrato com a Record, é bom Sabrina Sato, Geraldo Luís e Rodrigo Faro tomarem cuidado. A era do trabalho intermitente pode chegar para todo mundo.