ENTRETENIMENTO

Já era hora do "Pânico na TV" acabar?

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A notícia mexeu com a imprensa televisiva. O programa "Pânico na Band" já teria seu enterro planejado para dezembro de 2018, colocando um fim na longa carreira televisiva da trupe de Emílio Surita (pelo menos até alguma outra emissora comprar o passe). O fato é que temos muito motivos pra ficar bem felizes com o fim desse programa na televisão.

Já era hora do "Pânico na TV" acabar?

(Reprodução/Band)

Quando foi entrevistado pelo "Roda Viva", Fábio Porchat declarou que o humor e o humorista são coisas que envelhecem. Depois de um certo tempo, para o humorista manter a graça, ele precisa analisar as mudanças do tempo e dar uma própria atualizada na sua forma de fazer rir. A análise do Fábio deve ter acertado em cheio Marcelo Madureira, que estava no "Roda Viva" como entrevistador-convidado, afinal ele viu o seu "Casseta & Planeta" sair da irreverência e cair na mesmice sem-graça até sair do ar na Globo.

O "Pânico na TV" quando surgiu, em 2003, foi uma revolução no humor da TV. Com uma produção capenga e esbanjando criatividade, eles inovaram na forma de abordar celebridades, cobrir eventos sem convite e pregar peças nos tradicionais veículos jornalísticos.

Constantemente eles viraram notícia na grande mídia com suas "pegadinhas", como foi o caso da polidactilia da Daniela Cicarelli e o apagão na transmissão por suposta censura da RedeTV. Para todas essas graças, Emílio Surita sempre repetia uma frase: "qual é a credibilidade do palhaço?". O programa também trouxe novo fôlego até na forma como se edita matérias, usando uma linguagem que hoje é comum em programas casuais (como os esportivos) ou em canais de YouTubers. Praticamente criadores de uma linguagem própria!

Porém...

Já era hora do "Pânico na TV" acabar?

O maior pecado do grupo foi não ter conseguido amadurecer seu humor. Se você ligar o programa agora em 2017, vai encontrar o mesmo tipo de cenas que víamos em 2003 e pareciam transgressoras, com a diferença que eles estão mais velhos e o pensamento da sociedade está diferente. O amadorismo e as brincadeiras do passado acabaram não se adequando à nova realidade, e suas piadas começaram a ser cada vez mais inadequadas e ofensivas. Hoje parece ser um programa de quarentões e cinquentões agindo como se fossem adolescentes inconsequentes que acham graça em black-face, sexualização extrema de mulheres e perseguição literal a artistas que não compactuam com suas brincadeiras.

A matéria que melhor explica essa decadência do Pânico foi a que fizeram acompanhando Dudu Camargo numa balada e numa sessão sadomasô num motel (!). Juro que não consegui ver o vídeo abaixo de uma vez porque senti muita vergonha:

O Pânico deixou de ser aquele adolescente irreverente para se tornar um tio do pavê. Faz piadas inadequadas, ofensivas e tenta manter em vão algum momento de glória que teve do passado. Por mais que a Band use a desculpa de falta de faturamento ou de ~ano sabático~, a verdade é que o público deixou de se interessar pelo humorístico e foi atrás de outras formas de entretenimento. Atualmente, quem tem conseguido bastante audiência é o programa "Encrenca", da RedeTV.

De qualquer forma, vale lembrar que o fim do "Pânico na Band" não quer dizer o fim do grupo. Todos eles continuarão batendo ponto normalmente no programa de rádio da Jovem Pan em seu programa que é líder de audiência. Pelo menos no rádio eles ainda conseguem se reinventar e ser um programa mais atraente.