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Já podemos falar que o público rejeitou "Malhação - Vidas Brasileiras"?

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Dizem (pelo menos os jovens e os cults) que as novelas estão na iminência de acabar, e que o mais arrojado formato de teledramaturgia seriada é o importado de fora. Talvez esse pensamento tenha passado pela cabeça dos produtores da Globo, e talvez isso tenha justificado a compra do formato da novela canadense "30 viés" para se transformar na nova temporada de "Malhação", mas ninguém imaginava o quão chata seria essa temporada.

Já podemos falar que o público rejeitou "Malhação - Vidas Brasileiras"?

Passamos décadas com um mesmo formato em "Malhação", ou seja, protagonistas jovens vivendo polígonos amorosos e treinando seus atores para depois serem reaproveitados pela dramaturgia "de gente grande" da Globo. Certo, vez ou outra temporada ocorreram algumas exceções, como a vez na qual a Globo embarcou na onda dos seriados de mistério e criou um protagonista meio-anjo-ou-alguma-coisa-assim, mas a formulinha sempre se manteve fiel.

Na temporada "Vidas Brasileiras", por outro lado, temos pela primeira vez uma protagonista adulta na novela representada por Camila Morgado. Sua personagem Gabriela é a professorinha de uma turma de adolescentes problemáticos numa escola carioca, e no primeiro capítulo os autores tentaram mostrar a nós que os jovens a tem com muito apreço. Na prática, entretanto, a coisa não funciona tão bem.

A ideia da novela "30 viés" (e importada pela Globo) foi a estratégia de focar a trama da novela em um aluno por vez. A cada quinze dias, a professora Gabriela descobre o problema de um de seus alunos, e passa a tentar ajudar o coitado a resolver as coisas. Nas mãos de uma boa equipe isso renderia uma boa ideia de série ou coisa do tipo, mas numa novela as situações ficaram artificiais.

Professora Gabriela age como uma artista em meet & greet com tempo contado, afinal ela dedica apenas o mesmo tanto de capítulos para cada um de seus alunos e pronto, depois disso ela pula para o próximo e deixa o anterior a ver navios. Por exemplo, uma das alunas da professorinha estava sofrendo problema de assédio, e depois de terminada o tempo de sua história ninguém se importou de saber se ela estava numa boa ainda. A personagem teve todo o seu problema resolvido em 15 dias e pronto.

Algo que também não está colaborando com "Vidas Brasileiras" é a quantidade de problemas toscos apresentados por seus alunos. Um deles, por exemplo, acabou se envolvendo num vício extremamente específico por cheiro de verniz de barco (!!?), algo que com certeza todo mundo pode identificar com alguém.

Claro que há casos de novelas ruins, mas com altos índices de audiência e repercussão ("O Outro Lado do Paraíso" está aí para provar esse ponto), mas não é o caso de "Vidas Brasileiras". A audiência caiu cerca de 20% da temporada anterior, mostrando que o público de certa forma rejeitou a nova dinâmica que traz uma professora intrometida e alunos com dramas pouco comuns. Será que ainda dá tempo de mudar e corrigir a rota?