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O chororô do "Domingo Show" está com data pra acabar?

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Tá rolando um papo aí que a Record tem planos para acabar com o "Domingo Show", um dos programas de auditório de maior audiência ultimamente. Poderia ser uma notícia triste, mas não tem como não se animar com a promessa do fim de um dos programas mais sensacionalistas dos últimos anos.

O chororô do "Domingo Show" está com data pra acabar?

(Reprodução/RecordTV)

O Brasil é um país que respira programas de auditório. Mesmo na época do rádio, quando nem ao menos se podia ver o que estava rolando naquele palco, o país parava para ouvir aqueles animadores de plateia e suas atrações especiais. Mas foi na televisão que o negócio emplacou de vez, e arrisco dizer que os maiores expoentes atuais desse gênero são Silvio Santos e Faustão.

Nem é preciso pensar muito para entender a importância dos dois: seus programas de auditório (respectivamente o "Programa Silvio Santos" e o "Domingão do Faustão") estão aí há décadas fazendo sempre a mesma coisa, mas ainda conquistando o público. O truque pra isso é o bom humor: tanto o dono do SBT quanto o monstro-sagrado-tanto-no-pessoal-quanto-no-profissional se divertem fazendo seus programas e isso é passado para o público. E são atrações leves, que nos divertem e entretém.

Agora que já falamos dos bons programas de auditório, chegou a hora de falar do modelo aplicado pela Record...

Na busca desesperada por audiência, a emissora do Edir Macedo se especializou no sensacionalismo barato e no assistencialismo. Litros de lágrimas são debulhados todas as semanas em TODOS os programas de auditório da Record, indo desde os mais leves como o "Programa da Sabrina" até o "A Hora do Faro". Mas nenhum desses chega aos pés do "Domingo Show", atração comandada por Geraldo Luís que ganha com folga no índice do desgraçômetro.

Com uma quantidade cavalar de dramas, histórias de superação e declarações polêmicas de subcelebridades esquecidas num churrasco, o "Domingo Show" parece um circo feito em cima da tragédia pessoal das pessoas. Com a desculpa de mostrar exemplos de vida de quem venceu a tragédia, a Record tem como objetivo atrair qualquer empatia do público de casa, assim como sua audiência. Você pode até pensar que estou exagerando, mas observe a seguinte imagem com uma pauta que rolou no "Domingo Show":

O chororô do "Domingo Show" está com data pra acabar?

É uma mistura de ideias tão grande que você precisa ler o GC várias vezes para entender o que está rolando no palco do Geraldo Luis. Basicamente ele foi atrás da mãe da mulher do assistente de palco anão para promover um reencontro ao vivo com muita música de emoção. O resultado de tanto chororô sempre dá certo: constantemente o programa de Geraldo Luis fica em primeiro lugar no Ibope e conseguiu mudar o perfil de atrações do mesmo horário, como o "Domingo Legal".

Se ele é tão impressionante assim, por que é que o jornalista Ricardo Feltrin publicou uma notícia essa semana apontando que o programa deve acabar? O motivo também é bem simples: o "Domingo Show" não dá dinheiro para a Record. Embora seja uma audiência enorme, o público alvo do programa não atrai os anunciantes. Ou seja, a Record tem um programa caro e cheio de audiência, mas que não se paga.

O chororô do "Domingo Show" está com data pra acabar?

Os programas que exploram a desgraça alheia começaram a proliferar nos anos 90, quando a melhora na economia brasileira permitiu que famílias de baixa renda comprassem um aparelho televisor, e aí surgiu Ratinho com seus DNAs e ajudando famílias que perderam tudo em alguma tragédia.

Algumas décadas se passaram e acredito que o país está numa fase diferente, uma fase que a Record ainda não percebeu. Acredito que o público esteja fugindo um pouco da tristeza e queira ver coisas divertidas na televisão. De desgraça já basta o que vemos nas ruas, no trabalho, nos noticiários... Até mesmo o Ratinho, que falei agora há pouco como exemplo de sensacionalismo, abandonou a tristeza para apresentar um programa muito mais animado.

Mas a maior prova de que o povo busca diversão é justamente a audiência alta do "Programa Silvio Santos" e do "Domingão do Faustão". Por mais programas leves e menos drama na telinha!