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O Conselho Federal de Psicologia está FURIOSO com a novela "O Outro Lado do Paraíso"

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Em todos os capítulos, os créditos da novela "O Outro Lado do Paraíso" avisam ao público que se trata de uma obra de ficção sem qualquer compromisso com a realidade. Mas a mesma frase não deve ser aplicada quando se trata de uma ação de merchandising, e foi o que rolou na trama da hipnose da novela.

O Conselho Federal de Psicologia está FURIOSO com a novela "O Outro Lado do Paraíso"

Uma explicação sobre o que está acontecendo na trama: Laura (Bella Piero) acabou de se casar com Rafael (Igor Angelkorte) e não consegue ter relações sexuais com ele por causa de um bloqueio mental. Para tentar descobrir o motivo, a super-advogada Adriana (Julia Dalavia), aquela que não reconheceu a própria mãe no Caso da Mulher sem Nome, oferece fazer uma hipnose para descobrir o que está rolando com a moça. Daí a gente vai descobrir que ela foi abusada quando criança pelo padrasto e vai entrar a discussão sobre pedofilia na novela.

Uma novela precisa resolver as coisas de maneira rápida, então a gente até aceita que uma advogada faça duas sessões de hipnose e descubra que a moça foi abusada sexualmente quando criança, o problema é que tudo isso foi uma ação de merchandising.

Conforme a jornalista Cristina Padiglione explicou em uma matéria, essa hipnose de Adriana foi patrocinada pelo Instituto Brasileiro de Coaching. A própria personagem cita o nome do professor do curso (que existe de verdade, obviamente) e insinua que o coaching pode ser usado para resolver problemas de forma mais rápida que uma terapia convencional.

Por se tratar de merchandising, falar esse tipo de coisa é bem grave. Tanto que vários conselhos de psicologia, inclusive o Federal, lançaram notas criticando a irresponsabilidade do autor Walcyr Carrasco. A do Conselho Federal inclusive parece bem compreensiva a respeito da natureza de ficção de uma novela, mas a coisa vai por água abaixo porque se trata de propaganda paga.

Confira alguns trechos da nota, que pode ser lida aqui:

"Mesmo compreendendo o caráter de uma obra de ficção, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) entende que a telenovela “O outro lado do paraíso”, por se tratar de uma obra capaz de formar opinião, presta um desserviço à população brasileira ao tratar com simplismo e interesses mercadológicos um tema tão grave como o sofrimento psíquico de personagem cuja origem é o abuso sexual sofrido na infância."

"É consenso no Brasil de que pessoas com sofrimento mental, emocional e existencial intenso devem procurar atendimento psicológico com profissionais da Psicologia, pois são os que tem a habilitação adequada. "

"O CFP faz um alerta à sociedade para que não se deixe iludir. As pessoas devem buscar terapias adequadas conduzidas por profissionais habilitadas para os cuidados com a saúde, particularmente a saúde mental."

Isso que a novela "O Outro Lado do Paraíso" fez foi bem grave, mas não estamos surpresos. Vamos lembrar que essa é a novela que insinua que o agressor de mulheres está possuído por um espírito maligno.