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O "Fantástico" está tentando ensinar o brasileiro como se portar na internet

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Quando eu era um pequeno pirralho de 7 anos de idade, minha professorinha do primeiro ano do ensino fundamental embarcou numa grande campanha para ensinar todos os 50 alunos da sala sobre como deveríamos jogar lixo no lixo. Utilizando recursos audiovisuais inimagináveis para o começo dos anos 90, ela providenciou uma fita cassete com uma musiquinha chiclete que ensinava o princípio de como devemos manter as ruas limpas. Toda essa história sobre minha infância só está aqui para mostrar que algumas coisas bem básicas PRECISAM ser ensinadas, e o "Fantástico" decidiu assumir parte da responsabilidade educacional do brasileiro.

(Reprodução/Globo)
(Reprodução/Globo)

Nas últimas semanas, o dominical da Globo tem exibido com bastante destaque matérias sobre a internet. Ok, a revista semanal sempre dedicou um quadro específico para falar o que era real ou não na web, mas dessa vez rolaram matérias e mais matérias explicando o que é FAKE NEWS. Esse termo americano que mais parece ter saído da boca de um publicitário na verdade são aquelas notícias falsas escritas na internet. Com o advento das redes sociais e do extremismo causado pelo maléfico algorítimo do Facebook, esse tipo de conteúdo tem se proliferado tanto que chegou a influenciar a vitória de Donald Trump na corrida presidencial americana.

Nesse último domingo, por exemplo, a Globo dedicou boa parte do "Fantástico" para falar não só como o caso Marielle chocou o Brasil, mas também para contar o tanto de fake news que surgiu a respeito da vereadora morta. Todas essas matérias tinham em comum o tom quase didático, próximo ao que minha professorinha da primeira série usava para ensinar a turma da 1ªC a não jogar lixo no chão.

Mas será que esse tom está equivocado? Sinceramente acho que não. Vou pegar novamente minha professora como exemplo: imagino que pareça bem óbvio para você, que chegou até esse texto, que jogar lixo no chão é algo ruim. Suja os locais, junta bicho e pode até causar sérios problemas de saúde. Mas o Fábio de 7 anos sabia disso? Creio que não.

Os cavalinhos do Fantástico também são FAKE, me desculpe (Reprodução/Globo)
Os cavalinhos do Fantástico também são FAKE, me desculpe (Reprodução/Globo)

A internet é algo muito novo, e seu advento se deu mais com a popularização dos smartphones que do Computador do Milhão do Silvio Santos. Esse tipo de matéria ensinando o básico da internet não é pra mim ou para você que sabe trocar o papel de parede do notebook, e sim para aquelas pessoas que entraram agora e estão compartilhando notícias sobre como Pabllo Vittar estampará as notas de 50 reais. Acredite, tem muita gente que ainda acha que tudo o que está na web é real!

É muito necessário sim ensinar o que é uma notícia falsa, mostrar essas coisas bem básicas do mundo virtual. Basta ver o tanto de gente que ainda cai no velho truque da gangue que envia e-mail de banco pedindo para enviar os dados do cartão. Vamos lembrar que o "Fantástico" fala com um público que saiu da escola há pelo menos algumas décadas e que, talvez, não tenha maldade ao compartilhar que a vereadora morta era amante de não-sei-lá-quem.

Antes tarde do que nunca, talvez com as matérias do "Fantástico" consigam diminuir um pouco a frequência de notícias fake na disputa eleitoral que vem aí. Se bem que isso é apenas minha visão otimista da situação, algo próximo da visão que minha professora tinha de que ninguém naquela sala de 50 alunos ia jogar um papelzinho sequer no chão.