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O personagem mais complexo de "Deus Salve o Rei" é o do núcleo de humor

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A trama de "Deus Salve o Rei" é dividida em dois núcleos bem diferentes. De um lado temos o príncipe Afonso (Rômulo Estrela) que representa o lado sério da novela e se envolve num polígono amoroso com a camponesa ruiva Amália (Marina Ruy Barbosa). Do outro temos Rodolfo (Johnny Massaro) interpretando o governante malandro que representa o lado leve da novela, que serve apenas para rir. Curiosamente, o lado que tem mais profundidade tem sido justamente o que deveria ser mais simples.

O personagem mais complexo de "Deus Salve o Rei" é o do núcleo de humor

(Representação/Globo)

Rodolfo seria o príncipe Harry da novela medieval da Globo: mulherengo e claramente não apto para cumprir suas funções como governante no reino de Montemor. Ele é colocado nessa função depois que Afonso decide abandonar tudo pelo amor e após a morte de sua avó, então ele mantém um governo cheio de absurdos (que lembram bastante alguns absurdos que vemos num certo país da América do Sul).

Em um capítulo recente de "Deus Salve o Rei", Rodolfo convocava o povo para anunciar sua mais nova lei: quem transasse com a esposa alheia, seria punido exemplarmente. Mas a regra vai para o buraco quando ele percebe que ele seria castigado pela própria lei que havia criado, e seguiu-se umas situações bem hilárias (graças à interpretação ótima do Johnny Massaro).

Logo depois dessa cena, o rei foi avisado sobre o desabamento de uma mina com algumas vítimas do reino, e o mesmo personagem que anteriormente estava com uma veia cômica ganhou um lado mais sério. Novamente, o ator soube fazer muito bem a mudança de momentos e não pareceu nada forçado. Já na mina, quando estava tudo bem, Rodolfo voltou para o lado cômico e tentou bancar o salvador da galera em um momento hilário.

O personagem mais complexo de "Deus Salve o Rei" é o do núcleo de humor

(Reprodução/Globo)

Isso faz com que Rodolfo seja o personagem com mais facetas nessa novela. Enquanto Afonso é apenas o babacão apaixonado, Amália é apenas a mulher forte e empoderada clichê e Catarina (Bruna Marquezine)... bem... parece um robô falando as palavras PAU-SA-DA-MEN-TE, o rei de Montemor consegue transitar entre a parte humorística da novela e assuntos mais sérios com uma fluidez que vemos apenas naqueles personagens mais elaborados de horários mais tardios. É um personagem dúbio, algo bem raro numa novela das sete.

Na minha opinião, Rodolfo deveria ser o protagonista da novela, e não Afonso. Infelizmente não existe novela sem foco em casalzinho, por isso parece que Afonso e Amália estão lá somente para ocupar a cota de mocinhos songomongos enquanto Rodolfo fica responsável pelo melhor lado da novela.

Falta só ver se essa profundidade do personagem vai se manter a partir da entrada de Tatá Werneck na novela. Interpretando Lucrécia, a futura esposa de Rodolfo, há uma chance grande de que a humorista puxe todo o núcleo para a comédia escrachada e que apague esse lado mais sério que vemos em Rodolfo. Vamos torcer para que isso não aconteça.