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"Orgulho e Paixão" é uma das novelas mais divertidas em exibição

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Com um clima gostoso daquelas novelas de época cheias de personagens arremessados no chiqueiro, "Orgulho e Paixão" tem se mostrado um folhetim com muitas qualidades na grade da Globo.

Mariana e Brandão (Divulgação/Globo)
Mariana e Brandão (Divulgação/Globo)

O brasileiro tem uma longa história de amor com as novelas das seis, principalmente se tiverem a assinatura de Walcyr Carrasco, Elizabeth Jhin ou Walther Negrão. Foram décadas de histórias leves, em locais do interior do Brasil, algumas vezes de época, e sempre com personagens bem determinados, simples e carismáticos. Confesso que até fiquei com um pé atrás quando Marcos Bernstein entrou na fila das novelas das seis com uma releitura de livros da Jane Austen, porque aquilo tinha muita coisa que poderia dar errado. O trabalho anterior do autor foi um dos grandes fracassos de audiência da faixa das sete, a novela "Além do Horizonte"!

Mas em "Orgulho e Paixão" tudo está diferente. A novela conta a história de Elisabeta (Nathalia Dill), uma moça independente e empoderada que vive na década de 20 numa cidadezinha do interior de São Paulo. Enquanto sua mãe Ofélia (Vera Holtz) tenta desesperadamente casar todas as suas cinco filhas, Elisabeta quer passar longe desse lance de relacionamento. Seu sonho mesmo é conhecer o mundo.

Claro que isso é uma novela e ela não ia passar sem um par romântico. O britânico Darcy (Thiago Lacerda) surgiu em sua vida e os dois passaram a viver como gato e rato, começando relacionamentos amorosos e terminando eles logo depois por causa das determinações de Elisabeta. Mesmo assim, ela tenta gerenciar sua liberdade individual como mulher e a expectativa das pessoas a respeito de seu casamento. Enquanto vai descobrindo o amor e se aventurando pela capital de São Paulo, onde arranja um emprego, vamos cada vez mais nos afeiçoando pela personagem.

O mais legal é que as irmãs de Elisabeta e sua melhor amiga Ema (Agatha Moreira) têm peso parecido na história, e todas fazem parte de alguma trama interessante. Ema é apaixonada por um homem mais velho, a avoada Mariana (Chandelly Braz) está metida numa história com um super herói chamado Motoqueiro Vermelho e por aí vai. Elas têm seus pares românticos definidos, como Ernesto (Rodrigo Simas), Camilo (Maurício Destri) e Brandão (Malvino Salvador), mas eles nunca tiram o protagonismo das mulheres da história. Super certo, afinal Jane Austen foi conhecida por construir mulheres fortes.

Um dos pontos positivos de "Orgulho e Paixão" é sua agilidade. Sempre tem alguma coisa interessante acontecendo, algum personagem metido em alguma história divertida ou coisa do gênero. Com tantas personagens femininas importantes, o autor consegue equilibrar bem sua história e dar tempo para cada uma brilhar em algum ponto. Até mesmo as personagens mais sem graça (alô, Cecília Benedito!) não incomodam.

Num tempo no qual as novelas exigem tanto agilidade quanto domínio da história, Marcos Bernstein acertou em cheio com "Orgulho e Paixão". É uma novela muito gostosa de assistir, serve como entretenimento de qualidade e ainda mostra mulheres de um jeito muito positivo. Vamos torcer para ele conquistar de vez a direção da Globo e voltar logo para a faixa. Já até esquecemos "Além do Horizonte"!