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Por que Brasil a Bordo repercutiu menos que Pé na Cova?

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Acredito ter sido um dos poucos usuários que assistiram "Brasil a Bordo" inteirinho quando o Globoplay disponibilizou. Muitos meses depois, a série chegou na televisão e fez um sucesso apenas mediano. Mas por que será que a repercussão dessa série foi menor que a antecessora do autor, "Pé na Cova"?

Por que Brasil a Bordo repercutiu menos que Pé na Cova?

Sou um grande admirador de Miguel Falabella desde criancinha. Como não tinha idade para ficar acordado na hora do "Sai de Baixo", deixava programado o videocassete (para você que não sabe, é um aparelhinho que "baixava" o programa da televisão numa fita, numa época que não existia internet) para ficar assistindo várias vezes depois. Quando ele abraçou a carreira de escritor, fui acompanhando todas as suas séries sempre com muita animação, e por isso fui correndo ver "Brasil a Bordo".

Sem viciar minha opinião sobre a série lendo qualquer crítica, até porque quase ninguém viu isso na época, eu achei algo gostoso de assistir. O texto ainda tinha piadas ruins, mas eu curto muito o estilo de série do Falabella que envolve juntar personagens surreais num mesmo ambiente, e sempre ridicularizar todos eles. Mas após a estreia na televisão, as pessoas foram criticando "Brasil a Bordo", dizendo que era uma das menos inspiradas séries do autor.

Pra mim não fazia sentido, afinal ele usou o mesmíssimo humor de "Toma Lá, Dá Cá" ou "Pé na Cova", o que torna o humor de "Brasil a Bordo" inferior ao público? Bem, tenho uma teoria.

Por que Brasil a Bordo repercutiu menos que Pé na Cova?

Na época da minha faculdade de Letras, uma vez a professora falou como funcionava a nossa posição diante de histórias humorísticas. Basicamente nós temos a tendência a rir de algo que nos sentimos superior, ou seja, se mostrarmos algo que seja ridículo, mesmo com identificação, vamos rir porque nos sentimos acima daquilo. E isso funciona nas séries do Falabella.

Todos os seus personagens exagerados são absurdos e ridículos, por isso nos trazem graça. Luz Divina de "Pé na Cova" é uma hipocondríaca com delírios e Berna (Arlete Sales) é uma mulher embotocada e extremamente corrupta, e foram feitas para nos fazer rir muito. Porém, os personagens de "Pé na Cova" são todos ignorantes, burros, pobres, e o humor vem disso. Por mais genial e poético que seja o roteiro da série da funerária do Irajá, não deixa de ser uma espécie de "humilhação" de quem está por baixo. Já "Brasil a Bordo" vemos zoeira de pessoas de classe alta, donos de empresas etc. Será que é por isso que as pessoas acham menos engraçado?

Não sei afirmar nada com certeza, e isso tudo que disse é apenas uma teoria particular que pode ou não estar errada. Apenas lamento porque tive bons momentos com "Brasil a Bordo", mas a série não parece que ganhará uma nova temporada. Tudo bem, aguardo a próxima série do Falabella.