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Quem é a personagem mais chata de "O Outro Lado do Paraíso" e por que é a Adriana?

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Algumas vezes, Deus (ou qualquer outra entidade superior que você acredite) manda algumas coisas à Terra para testar a paciência dos seres humanos. Depois das paletas mexicanas e dos spinners de dedo, a mais recente provação que estamos enfrentando é a personagem Adriana (Julia Dalavia) de "O Outro Lado do Paraíso".

Quem é a personagem mais chata de "O Outro Lado do Paraíso" e por que é a Adriana?
(Reprodução/Globo)

Adriana chegou na segunda fase da novela das nove apresentada como um prodígio. Não por ter tão pouco tempo de vida e ter um currículo imenso que envolve faculdade de Direito, OAB e cursos variados de Coaching, a personagem é um fenômeno pelo simples fato de ser especializada em arrancar coisas de condenados e, no caso da Mulher sem Nome, não ter reconhecido que a cliente era a própria mãe Elizabeth (Gloria Pires).

A filha da nossa alcoólatra favorita é um desafio para a ciência, pois parece ser fisicamente impossível colocar numa única pessoa tanta incoerência. Embora apresentada como uma personagem amadurecida pela vida, em menos de uma semana ela já era uma garota mimada que culpou a própria mãe pela morte de seu avô. Detalhe, durante a morte do velho ele estava ameaçando a nora com um revolver e do nada teve um treco. Óbvio que a culpa é da Beth, como não poderia ser?

Outra função bem óbvia de Adriana na novela, além de nos irritar, claro, é servir como cateto para mais um triângulo amoroso da história. Só que ela acabou caindo na pior competição possível, porque Adriana é completamente apaixonada por Patrick (Thiago Fragoso), que por sua vez tem seus olhos criminalistas todos voltados para Clara (Bianca Bin). Preciso nem contar que a jovem insossa não tem muitas chances contra a protagonista da novela, não é mesmo?

Quem é a personagem mais chata de "O Outro Lado do Paraíso" e por que é a Adriana?
(Divulgação/Globo)

Do ponto de vista do roteiro, Adriana serve como um personagem tapa-buraco. Uma versão feminina e bonita do porteiro Severino do finado "Zorra Total": quando Walcyr Carrasco (o autor) precisa de uma jovem adulta agindo como criança, de uma advogada experiente ou até mesmo de uma especialista em coaching para resolver qualquer problema de abuso infantil na novela, basta chamar a jovem Adriana.

Essa falta de personalidade definida no geral acaba afetando a forma como assistimos à Adriana. Ela é chata, mimada, sem sentido e todo o (pouco) drama que sua personagem poderia oferecer a "O Outro Lado do Paraíso" desapareceu no dia em que Elizabeth revelou ser sua mãe no meio de um tribunal. A personagem vai tentar uma sobrevida agora com seu problema de saúde, mas é fato que o público de casa deixou de se importar com ela há muito tempo.

Não torcemos por ela e a personagem apenas compete, com o cabeleireiro que repete bordões e a Narjara Turetta do bordel, os disputados segundos do horário nobre da televisão brasileira.