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RedeTV continua exibindo desenho animado como se estivéssemos nos anos 90

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Nos últimos dias, a RedeTV tem conquistado recordes negativos de audiência e repercussão na web por causa da reestreia do desenho animado japonês Pokémon. Sucesso na Record no finalzinho dos anos 90 e durante meados dos anos 2000 já na RedeTV, a animação foi deixada de lado pela emissora naquela época porque, né... é mais lucrativo vender horário na programação para TOP Game e igrejas. Mas por que será que essa retomada de um dos programas que mais deu audiência na RedeTV foi um tremendo fracasso?

À esquerda, a turma da Pakaraka. À direita, Ash e seus amigos assustados, talvez por causa dos palhaços.
À esquerda, a turma da Pakaraka. À direita, Ash e seus amigos assustados, talvez por causa dos palhaços.

Se você foi uma criança que viveu os anos 90, provavelmente teve sua personalidade moldada através de apresentadoras loiras com roupas insinuantes que promoviam gincanas absurdas e, entre um texto decorado e outro, exibiam um desenho animado. Acredite, esse modelo foi replicado por praticamente todas as emissoras brasileiras: a Globo aperfeiçoou o gênero com a Xuxa, o SBT tinha a Eliana, Manchete apostou na Angélica, a Gazeta tentou com a Mariane e por aí vai. Até mesmo a Cultura tentou, mas de forma diferente: seus desenhos animados eram apresentados por dois peixes no extinto GlubGlub.

Esse é o modelo ANTIGO de exibição de desenhos animados na televisão. Enquanto em outros países como EUA e Japão as animações são as grandes atrações e são exibidas num horário próprio, as emissoras brasileiras apostavam apenas em suas grandes apresentadoras e colocava as animações como tapa-buraco mesmo. No Brasil, só programas como Simpsons conseguiam ganhar um horário próprio.

Com o surgimento das TVs pagas, a coisa deu uma mudada: os canais infantis não tinham nenhuma loira com perna de fora e nem gincanas de estourar bexigas, eram apenas animações uma seguida da outra. E, com o passar do tempo, as emissoras viram o gênero se desgastar: a Eliana deixou os desenhos de lado para apresentar programa pra família, a Angélica virou entrevistadora de famosos e a Xuxa... bem... ela insistiu um pouco mais do que deveria na produção infantil.

Quando a RedeTV apostou em animações lá pelos idos de 2006, com a criação do TV Kids, o programa era apenas um bloco em que exibiam séries japonesas como Super Campeões 2002 e Fullmetal Alchemist. O próprio Pokémon apareceu e se tornou uma espécie de Chaves do canal, sendo usado em qualquer horário com garantia de audiência. Mas a exibição em 2018 está um pouco diferente.

Pra começar, Pokémon vem sendo exibido diariamente dentro de um programa infantil chamado Turma da Pakaraka, uma série de esquetes com palhaços financiados pelo dono de uma grande rede de farmácias (e que patrocina quase toda a emissora). O problema é que o teor dos dois programas é completamente distinto: o público alvo dos palhaços não é o pessoal que assiste ao desenho japonês.

Para piorar, a RedeTV não ajuda nem na hora de divulgar o programa nas redes sociais. Enquanto o anime é exibido na TV, a hashtag indicada pela emissora é #TurmaDaPakaraka. Custava colocar algo como #PokemonNaRedeTV para as pessoas descobrirem que a emissora está exibindo novamente o desenho? Ou eles esperam que as pessoas descubram através de um passe de mágica ou de interferência divina?

Com a audiência abaixo de 1 ponto (e às vezes dando ZERO pontos), não será surpresa se o Pokémon logo sair do ar. E o culpado seria o público por não ter assistido ao programa.