A privada-esfinge

A privada-esfinge

A privada-esfinge

Um relato profundo e íntimo de uma personagem anônima e cômica.

Dia desses, já meio cansada, as pernas e os braços, tudo muito acabado, os neurônios disléxicos com uma ressaca dificílima e reflexiva, adentrei subitamente no meu aposento sanitário.

É sempre um encontro né, E uma busca, que faz a gente ir na direção das coisas.

Não sei, senhores, se já passaram pela experiência de ter um elefante com patins nas quatro patas dentro de seu aparelho digestivo. Se já, entenderão com maestria a tormenta que me acometia naquela fática manhã de segunda-feira. Golfada emitida, sentei-me ao chão, e num momento apoteótico de pós-coma-alcoólico, fiquei a observar a maldita reminiscência gástrica da noite anterior, tentando lembrar quem era esta energúmena que vos escreve.

A verdade é que o cérebro de um ébrio funciona em movimentos lentos e descompassados, e a fita magnética de sua cachola já não tem a capacidade de reter imagens que sejam suficientes satisfatórias para se encaixarem na categoria memória. E para esses pobres indigentes, a máxima, ‘diga-me com quem andas e te direis quem és’, não lhes cabe, visto que nunca lembram por onde andam, quanto mais com quem andam...

A privada-esfinge
Cadê? Pra onde foi? Seria um sonho?

E de repente, ali, sentado na minha privada, estava um gordo elefante verde, com olhos irônicos, encarando-me e dizendo, “Sabia que existem várias formas de suicídio? Uns cortam os pulsos, outros dão tiros na cabeça, ou jogam-se na linha do trem. Métodos diversos, modalidades com morte paga à vista ou a prazo, bem ao gosto do cliente.

E aliás, entre tantas técnicas, tem o método etílico, que, a meu ver, tem o melhor custo benefício do mercado, porque além de ser pago em longas prestações, a juros módicos, você ainda ganha de graça, traços de esquizofrenia compulsiva. É mesmo uma ótima escolha, Srta.” (Será que vomitei esse maldito paquiderme? Ou saiu da lata de massa de tomate vencida? Mas eu não compro massa de tomate, porra!). “Escuta aqui, sabichão, e que direito você tem de entrar em meu banheiro e me dar conselhos desnecessários nesse seu tom de ironia machadiana?? Ah, vá para um SPA, porque, não sei se você sabe, mas obesidade mórbida também mata e, a meu ver, você já tem um acúmulo muito significativo de células adiposas nessa sua pança aí...” E com aquela cara de lata amassada, o balofo se levantou e saiu espremidamente pela porta.

Meus caros leitores à toa, como todo indivíduo, antes de enlouquecer de vez, tem um lampejo de lucidez, olhando para minha privada amiga de todas as manhãs, senti um arrepio na consciência diante da pressuposta esquizofrenia, cogitando a insanidade daquele momento.

E, então, em anseio por respostas freudianas, em voz empostada de cantor de bolero, perguntei esquizofrenicamente: 'Banheiro, banheiro meu, estou eu enlouquecendo???'. Minha privada, muito elitista-pseudo-intelectual-junguiana, respondeu com voz de Arnaldo Jabor:

"Decifra-me ou devoro-te".

Em ódio contemplativo, vinguei-me da dita-cuja, observando placidamente, meu golfo-etílico descer-lhe goela abaixo, privada dos infernos

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