RAÇA

10 mulheres negras para acompanhar em 2018

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A organização feminista Think Olga reuniu em sua retrospectiva do ano 200 nomes de mulheres merecedoras de reconhecimento em diversas áreas de atuação, e publicou o documento Mulheres inspiradoras de 2017. Se conquistar o devido destaque já é uma problemática de gênero, já que fechamos mais um ano em que os homens ainda dominam os espaços de poder, ser mulher negra é símbolo de uma representatividade ainda mais rarefeita nesse tipo de lista.

Então vamos pinçar aqui algumas personalidades negras brasileiras cuja relevância do trabalho merece ser acompanhada por olhares atentos em 2018, para que cada vez mais a diversidade se pulverize e se naturalize também no topo das realizações.

1. Preta Rara é o codinome da rapper e artista multimídia Joyce Fernandes, apresentadora da importantíssima websérie lançada este ano Nossa Voz Ecoa, um programa de entrevistas feito para o YouTube, criado para dar voz a mulheres e negros. Inquieta, já havia chamado a atenção nas redes sociais com o projeto #EuEmpregadaDoméstica, que denuncia absurdos racistas e classistas que passam mulheres (em sua maioria negras e pobres) em situações degradantes do trabalho doméstico no Brasil.

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2. Mulheres negras inspiram os murais de grafite de Annie Gonzala, que humaniza suas personagens coloridas ao pintar beleza, força e seus amores, como instrumento de combate ao racismo. Negra, lésbica, mãe e artista, descobriu um glaucoma em estágio avançado e a perda da visão de um olho. lançou a campanha “preciso de olhos para ser artista”. Graças ao financiamento coletivo, conseguiu o valor necessário para o seu tratamento. Após a recuperação, esperamos a retomada do seu trabalho ainda forte.

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3. Quando a psicóloga Maitê Lourenço decidiu empreender, deu-se conta da ausência de profissionais negros no universo das Startups, principalmente ecossistema de inovação no mundo do empreendedorismo. Assim, criou o BlackRocks Startups, voltado ao desenvolvimento de ações para aumentar a diversidade racial no empreendedorismo brasileiro. Em 2017, um dos finalistas do Startup Awards, o projeto em suas ações externas impactou mais de 350 pessoas e promete crescimento para 2018.

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4. Da internet para a grande mídia, o estilo sem papas na língua da influencer baiana Tia Má conquistou as redes sociais e espaço na Rede Globo. O bom humor e a conversa franca sobre racismo no Brasil é sua principal marca. Em menos de um ano, já ocupa o espaço de convidada fixa do programa Encontro com Fátima Bernardes e assina os roteiros da série de comédia Vai Que Cola, do Multishow.

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5. Em 2016, aos 32 anos, Áurea Carolina foi a vereadora mais votada nas eleições em Belo Horizonte (MG), alcançando a maior votação na Câmara Municipal da capital mineira das últimas três eleições. Negra, feminista, ex-cantora de rap e formada em escola pública, dedica-se à defesa dos direitos humanos. Em poucos meses de mandato, uniu sua equipe ao gabinente de Cida Falabella, também eleita pelo PSOL, para estabelecer um mandato coletivo, ampliando esforços de uma grande equipe formada por pessoas que vêm da luta, somos mulheres, negras, LGBTs e moradoras de ocupações urbanas. Por mais pequenas e grandes revoluções na política no ano que vem.

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6. Também da capital mineira, Conceição Evaristo antes de se tornar uma das principais expoentes da literatura brasileira, com expansão internacional, tendo seus livros traduzidos para outros idiomas, já teve que conciliar estudos com trabalhos de faxina. Desde 1990, quando publicou seu primeiro poema, lançou diversos poemas e contos, além de uma coletânea de poemas e dois romances, desponta como o principal nome entre mulheres negras na literatura. Aos 71 anos, é doutora em literatura pela Universidade Federal Fluminense, militante ativa do movimento negro, vencedora de diversos prêmios.

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7. Uma das intelectuais negras de maior reverberação no Brasil, a articulista Djamila Ribeiro deve entrar em 2018 a todo vapor com a turnê nacional de lançamento do seu livro independente O que é Lugar de Fala? No livro, a mestre em filosofia e feminista negra aborda, pela perspectiva do feminismo negro, a urgência pela quebra dos silêncios instituídos, e ressalta a produção intelectual de mulheres negras ao longo da história.

8. Filha de empregada doméstica, Adélia Sampaio foi a primeira mulher negra a dirigir um longa-metragem no Brasil, o filme Amor Maldito, de 1984, que também é considerado o primeiro filme lésbico brasileiro. O crescimento do debate sobre a presença de negros nos espaços de criação do Audiovisual tornou seu nome reconhecido em todo o Brasil em 2017 e seu filme passou a ser visto por uma nova geração, passando por exibições importantes como no Seminário Diversidades, da Agência Nacional do Cinema (Ancine), Mostra Diretoras Negras do Brasil. Em 2018, deve seguir com um dos principais nomes a respeito do debate racial no cinema.

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9. A presença de negros é quase invisível no mercado de Tecnologia da Informação. Mesmo com o crescimento da diversidade de gênero, profissionais negras são ainda mais preteridas num universo dominado em 98% por brancos. Cansada dos preconceitos e da falta de oportunidades, Buh D'Angelo - que coleciona formações em eletrônica, automação industrial, manutenção, tecnologia da informação e robótica - criou a Infopreta, primeira empresa de serviços tecnológicos que conta apenas com mulheres negras, LGBT, transexuais e travestis no Brasil. Criada em 2013, a empresa cresce a cada ano, expandindo para novas áreas além da assistência técnica, como programação, desenvolvimento de aplicativos e também é agência digital.

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10. A cozinheira pernambucana Carmem Virgínia enfrenta o preconceito que rege o universo da gastronomia, dominada por chefs homens. Além disso enfrenta continuamente a intolerância religiosa por ser yabassé, sigla para a responsabilidade de preservar as tradições culinárias dos orixás. Gastrônoma, pesquisadora e cultuadora dos orixás, está à frente do badalado restaurante Altar Cozinha Ancestral, no Recife, tornou-se uma voz ativa da GNT. EM 2018, deve ser vista ainda como personagem do filme "1817- A Revolução Esquecida", dirigido por Tizuka Yamazaki e rodado em Pernambuco. 

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