MÚSICA

5 clipes "de favela" para além de Vai, Malandra

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5 clipes "de favela" para além de Vai, Malandra

Berro, de Heavy Baile (Reprodução / Youtube)

O clipe da Anitta foi o assunto do fim do ano, nas mais demasiadas problematizações a respeito do vídeo, entre debates mais profundos como empoderamento x apropriação cultural, objetificação, além de questões frívolas como o biquini de fita isolante e a celulite em perspectiva. Ao fim, o que fica é que, como produto, o funk e a favela estão indubitavelmente sendo vendidos internacionalmente como produto nacional, capital simbólico da identidade brasileira.

Entre aspectos positivos e negativos dessa dicotomia da criação da imagem da periferia na indústria cultural, vale lembrar que Anitta deu um boom mas não inventou sozinha essa estetização da favela, faz parte de um movimento anterior que toma proporções gigantescas graças à envergadura que sua carreira vem alcançando.

Que tal relembrarmos outros artistas que também colocaram a favela em evidência? Se está em alta tocar o som de preto, de favelado, mas quando toca, ninguém fica parado é hora de aproveitar para expandir as referências. Quanto mais a música da favela deixar de ser marginalizada, perseguida e ameaçada, melhor!

Veja cinco “clipes de favela” pra 2017 não ficar só em Vai, Malandra.

Toca na Pista - Tropkillaz & Heavy Baile feat. MC Carol

O hit de "toca na pista, toca na favela" aborda a democratização do funk, e traz em seus cenários tanto a favela carioca como a pista classe média em que o funk é a música dançante. Ainda esbanja representatividade com o bonde negro de Tropkillaz, atualmente a maior grife do funk da atualidade, e ainda traz a badalada MC Carol, gorda e negra, não está aqui pra fazer cota, mas pra protagonizar sua história.

BERRO - Heavy Baile (feat. Tati Quebra Barraco e Lia Clark)

Antes da laje de Anitta, e do biquíni de fita isolante, Tati Quebra Barraco já estava tomando sol à espera da drag Lia Clark nesse clipe do Heavy Baile. Além de cenas na comunidade, o vídeo é cheio de diversidade da favela, com muitas personagens anti-padrão abafando. Como diz a música Berro: "Se não for para causar, eu nem saio / Se não for pra incomodar, eu nem saio"

Oi Sumido - Dream Team do Passinho

O vídeo foi gravado na favela do Vidigal, no Rio de Janeiro, com participações de personalidades da região. O dançarino Wallace Coutinho, a bailarina Luana Bezerra, a drag Eder Ferreiro, Celso Athayde, o escritor Anderson Franca “Dinho”, o ator Ícaro Silva e o cantor do bloco Fogo e Paixão, Matheus VK, estão todos no clipe que é um verdadeiro desfile de gente preta e maravilhosa. Lellezinha é um show parte! 

Meu Bloco - Ricon Sapiência

O rapper Ricon Sapiência paulista é o nome do ano, principal revelação das quebradas brasileiras teve o seu disco Galanga Livre entre os melhores do ano em praticamente todas as listas da crítica. O samba também é música de favela, e principalmente os bastidores do maior carnaval do mundo. Meu Bloco é gravado em plano sequencia no Barracão de uma escola de samba e mostra bem como é a relação nada glamurosa da comunidade com a festa. "Pra nós o ano todo tem carnaval", conta a letra.

Fogo em Mim (feat. Mahal Pita) - Rico Dalasam 

Da lista esse é o clipe que não traz a ideia bruta da favela, mas dá enfoque aos corpos e à dança que pouco tem visibilidade, com o corpo de baile de pessoas negras ao som de música urbana. É uma visão plástica da favela de Dalasam, também conhecido como primeiro rapper gay. O cantor queer aposta em sensualidade e representatividade para lembrar suas origens.