MÚSICA

Alcione continua divando aos 70 anos

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Alcione continua divando aos 70 anos

Reprodução / Instagram

Alcione é daquelas mulheres arrebatadoras, cuja simpatia é o trunfo do seu carisma. A Marrom, que chega aos 70 anos esbanjando talento e disposição, é daqueles nomes que estampam a lista de mulheres negras maravilhosas na história do Brasil. Enquanto Elza Soares é aquele estilo de diva mais arrojado, que flerta com o moderno e é o símbolo de um momento artístico ligado ao ativismo, Alcione é a diva que ultrapassa o circuito alternativo e prova que é possível ser popular e resguardar sua autenticidade. Como Elza, pelo potencial de um vozeirão estonteante, encanta gerações diversas e desafia o lugar comum das realizações de quem chega à velhice.

A gente ama mesmo Alcione porque ela é gente como a gente e isso transparece, desde seus clássicos românticos que falam das dores do amor que todo mundo passa, quanto à sua importância na defesa das tradições culturais populares como a música maranhense e o samba carioca (mangueirense para ser mais específico). Alcione é simples e trata de um jeito sereno o que a vida lhe dá. 

Das coisas que ela faz que você tem certeza que se tivesse oportunidade, ficaria melhor amigo dela:

Solteira sem filhos e não está nem aí pra isso

Que mulher da idade das nossas avós conseguiria há algumas décadas escapar das cobranças sociais de formar (ainda mais oficialmente) uma família e se esquivar dessa obrigação em nome das coisas que lhe eram mais importante, como a música e carreira? Se hoje as mulheres que conseguem refutar a maternidade compulsória são criticadas imagina como era em outras épocas?

Sincrética bem brasileira

Alcione conversa sobre tudo, sem problemas, e coloca temas polêmicos de um jeito leve, como quem está numa mesa de bar. Por exemplo, é assumidamente católica fervorosa, atuante no Círio de Nazaré em São Luiz (MA), mas confessa publicamente o flerte com o espiritismo, acreditando em mediunidade e defendendo que só recuperou a voz graças a uma experiência espiritual.

Nordestina ou carioca, é do Brasil

Tem que ser muito gente boa para conseguir agregar regiões diferentes. Nascida no Maranhão, mas radicada no Rio de Janeiro, continua como a grande voz maranhense e ao mesmo tempo uma das referências do Samba. Importante para ela é defender a música popular brasileira autêntica. Na década de 70 era apresentadora de um programa de TV, Alerta Geral, que tinha como lema que música boa era a nacional.

Marrom é sua assinatura

Assumir a pecha de Marrom é daqueles feitos de tomar para si e ressignificar o que poderia ser um apelido jocoso e racista como algo engrandecedor. Muito antes de Negra Li ou Nega Gizza, já deixava claro que sua cor é sua marca, e motivo de orgulho. Marrom is beautiful e Alcione provou.

Veste a camisa

E o que dizer dessa pessoa que assim como qualquer um de nós, mortais, declara amor pelos seus ídolos? Sim, ela também se passa e usa camisas para expressar o quanto é fã! E claro, suas homenagens são recebidas com o maior carinho, vide-se que ela até conheceu recebeu elogios de Axl Rose e é amiga de outra Diva, Maria Bethânia.

Parabéns Marrom, continue divando e arrasando nossos corações!