CELEBRIDADES

Ataques racistas a Meghan Markle desestabilizam político no Reino Unido

Author
Ataques racistas a Meghan Markle desestabilizam político no Reino Unido

Meghan Markle foi insultada pela namorada de Henry Bolton, Jo Marney. Reprodução / Daily Star 

A tão idealizada vida de princesa de Meghan Markle na realidade está cada vez mais longe de conto de fadas. Certamente, já não seria fácil abdicar de seu país, sua carreira e da privacidade, vivendo cercada de formalidades da realeza 24h por dia, mas o caso da atriz americana vai além das problemáticas que outras princesas de origem plebeias como Diana e Kate Middleton passaram. Por ser afrodescendente, Meghan ainda tem que lidar com os ataques e insultos racistas, desde haters na internet a esferas mais complexas como a mídia conservadora e o fogo amigo dentro da própria família real.

No mais recente episódio de racismo que passou desde que assumiu o relacionamento com o príncipe Harry, os insultos a Meghan Markle estão gerando uma crise política e desconforto institucional no Reino Unido. O pivô da polêmica é Jo Marney, namorada de Henry Bolton, líder do UKIP (Partido para a Independência do Reino Unido), cujas conversas ofensivas divulgadas pelo jornal inglês Daily Mail afirmam que Meghan “mancharia a família real com uma semente do povo negro e abriria espaço para um rei negro”. No conteúdo vazado, afirma ainda nunca teria relações sexuais com pessoas negras porque: “eles são muito feios e têm um cérebro pequeno".

Após a divulgação das mensagens, Jo foi suspensa do partido no último domingo, 14. Politicamente para o líder Henry Bolton, ficou insustentável tentar protegê-la - nesta segunda-feira, 15, com receio de perder o cargo em meio a uma onda de pedidos da sua demissão e da expulsão de Jo do partido, anunciou o fim do relacionamento para salvar a carreira, mas não se mostrou muito chocado com a opinião da namorada.

Bolton e Marney iniciaram a relação em dezembro, e o líder do UKIP tentou justificar que as mensagens foram escritas antes do namoro. "O elemento romântico da relação está acabado", disse Bolton. Mas não pareceu desiludido e ainda tentou defendeu que as opiniões de Marney "foram feitas em mensagens pessoais diretas (...) e não acredito que correspondam aos seus reais valores".

Ou seja, ser racista discretamente pode? Quando é que se revelam os reais valores de uma pessoa senão na intimidade? Não parece um problema para Bolton, nem para muitas personalidades conservadoras do Reino Unido ser racista, desde que isso não venha à tona e atrapalhe sua imagem.

Parece até com o comportamento de William Waack no Brasil que decidiu não parar de passar de vergonha, toda vez que tenta se defender só piora: "Quando menino, minha mãe tinha de trabalhar fora e me deixava com a Guilhermina, uma senhora negra que praticamente ajudou a me criar e de quem me lembro até hoje com enorme carinho", declarou em entrevista à Folha de S. Paulo. Ele até tem consideração por pessoas negras, desde que elas estejam na subalternidade de um serviço doméstico. Tem autodeclaração de racismo maior que essa?

Bolton e Marney agonizam tentando salvar sua imagem em tempos que racismo não é mais de bom tom, mas desculpas diretas a Meghan Markle até agora ninguém fez. Não estão realmente preocupados com o estrago e a ofensa que cometem, apenas em não parecer maus. Martirizam-se não por seus preconceitos, mas somente pelo erro de deixá-los escapar.

Não é a primeira nem será a última vez que Meghan Markle sofrerá ataques racistas por ousar ocupar um lugar onde nenhuma mulher negra chegou antes, mas que não fiquem mais incólumes os que praticam racismo como quem tomou um chá, acreditando que não há dolo nenhum. Desejamos que ela esteja firme e aguente o tranco porque nunca será fácil, mas que seu lugar de privilégio lhe permita defender suas origens e exigir respeito à sua etnia. Torcemos que ela possa ser uma voz forte contra a discriminação racial, uma Oprah new generation na terra da Rainha.