CRIANÇAS

Chegamos ao ponto em que mais da metade dos bebês toma refrigerante

Author
Chegamos ao ponto em que mais da metade dos bebês toma refrigerante

Reprodução / Internet

O alerta não é novo, mas o debate está mais acalorado recentemente à medida que a preocupação com a alimentação saudável na infância se torna uma das principais pautas de mães e pais. Os desafios são muitos, já que o apelo da agitada vida contemporânea aponta para o crescimento do consumo cada vez maior de produtos industrializados. E isso gera uma banalização a respeito do que se oferece nos pratos das crianças, já que “todo mundo come mesmo”.

Não é novidade que cresce os índices de obesidade e sobrepeso, e as pesquisas relacionadas às enfermidades advindas de péssimos hábitos alimentares. Em 2014, 20% da população brasileira estava obesa (FAO) - eram 17,8% quatro anos antes - e 54% estavam acima do peso, enquanto na América Latina um terço dos adolescentes e dois terços dos adultos apresentavam esses problemas. No mundo, há a estimativa de 700 milhões de obesos, segundo o periódico científico The New England Journal of Medicine. Uma pesquisa aponta que problemas de peso mais que dobraram em 73 países desde 1980.

Entre os motivos está o aumento do consumo de alimentos hipercalóricos com baixo valor nutritivo. Dados da consultoria Euromonitor mostram que, entre 2011 e 2016, aumentou em 25% a venda de produtos industrializados e em 30% o consumo de fast-food. O sedentarismo também piora os alertas de qualidade de vida.

Na infância, a cultura de péssimos hábitos alimentares se reproduz. Segundo o documentário "Muito Além do Peso", dirigido por Estela Renner, 56% das crianças brasileiras com menos de um ano bebem refrigerante, até mesmo em mamadeira, e 30% estão acima do peso. Estima-se que em cada cinco crianças obesas, quatro serão obesas no futuro.

Estamos tão acostumados que crianças “comam tudo o que quiserem”, que existe um verdadeiro patrulhamento quando se evita ou se nega o consumo de açúcares, frituras e outras guloseimas ao menos nos primeiros anos, na tentativa de estimular hábitos mais saudáveis. No país em que mais da metade dos bebês já toma refrigerante, o que choca mesmo é amamentação em livre demanda até dois ou mais anos.

E o que dentro da nossa bolha a gente pode fazer para tentar diminuir os problemas alimentares? No caso das crianças, a tarefa vai além da lancheira saudável e do exemplo dentro de casa de pratos coloridos e sabores diversos. É preciso mobilizar escolas para alimentos mais salutares nas cantinas e mesmo nas merendas coletivas. Também há que se cobrar e fiscalizar a superexposição da crianças a comerciais - principalmente na TV - a produtos artificiais e esbravejar contra campanhas prejudiciais, como a vinculação de brinquedos a combos fast food em lanchonetes.

No mais, as crianças de hoje não sabem de onde vem o que tem em seus pratos. Tornar alimentação uma descoberta a curiosidade delas é uma forma de desmitificar o que é bom é ruim, e de identificar a origem dos alimentos. Não existe receita perfeita, mas já tentou cozinhar juntos com os pequenos? Eles ficam mais suscetíveis a provar coisas novas quando participaram e contribuíram com o processo. Não sabe cozinhar? Tem umas receitas legais pra se inspirar em sites como Cozinha Colorida da Kapim, Gourmet Júnior (antigo Pequeno Gourmet) ou Mãe Nutricionista. Não precisa ser a Bela Gil pra começar.