COMUNICAÇÃO

Cinco campanhas não racistas que poderiam inspirar a Dove

Author
Cinco campanhas não racistas que poderiam inspirar a Dove

Crédito: Pirelli / Divulgação - Lupita Nyong'o nos bastidores do Calendário 2018

Já falamos bastante o quanto se equivocou a campanha da Dove considerada racista ao tentar tratar de diversidade racial num comercial de produto cosmético. A marca engrossou a lista de outras empresas que já escorregaram em suas peças e geraram polêmica. Mas o que dá pra fazer depois do vendaval de críticas e diante do gerenciamento de crise, além de pedir desculpas e retirar as propagandas ofensivas do ar?

Refletir sobre o próprio discurso e como combatê-lo parece ser bem mais eficaz que a resposta lugar comum “não foi bem isso que queríamos dizer”. O que está dito não volta atrás, mas sempre é possível pra aprender com os erros. Na vida e no marketing, os tempos mudam, e é preciso se adaptar para sobreviver. E na era da interação em tempo real, reputação é ouro.

A Dove poderia aproveitar o alcance mundial da marca para refazer sua história com uma política realmente impactante de combate ao racismo, e não deixar sombra de dúvidas sobre suas intenções. Algumas marcas já fizeram esse tipo de recall pós-críticas, como por exemplo a Skol. Acusada reiteradamente de fazer anúncios sexistas, foi obrigada a perceber que o tradicional machismo na publicidade de cervejas já não cai bem. Foi duramente xingada nas redes sociais com o impacto da peça “Esqueci o não em casa”.

As desculpas convenientes fizeram parte das reações imediatas, mas em seguida a Skol mostrou indícios de arriscar outra semântica, tentando se esquivar do passado de explorar a imagem das mulheres com apelo sexual e convidando artistas mulheres para fazerem releituras de pôsteres antigos. A Pirelli Também reviu completamente seu “branding”, afastando-se das décadas de “fotos de borracharia” com mulheres em poses sexy para mudar o tom do seu famoso calendário. As páginas, antes recheadas de supermodelos, deram  lugar a mulheres notáveis em 2016, à beleza real em 2017 e a um casting exclusivo de pessoas negras para 2018.

Se a Dove resolver repensar seu passado racista, fica aqui algumas dicas de 5 comerciais nos quais poderia se inspirar para valorizar pessoas negras.

1. Repense o Preconceito - Avon

A Avon vem há alguns anos obtendo felizes resultados ao colocar pessoas negras como protagonistas das campanhas, como as cantoras Karol Conka, Mc Carol e LAY e a atriz Sharon Menezes. Mas o tom afirmativo agora envolve gerações mais jovens, como nesse vídeo lançado há poucos dias com participação de Mc Sofia e a Elis MC, do baile Crespinhos S/A.

2. Deixe de lado o que não é mais necessário - Bonafont Brasil

O grande trunfo desse comercial é que ele é uma propaganda como qualquer outra, mas traz um homem negro pode apenas ser ele mesmo, e fazer coisas que qualquer pessoa faz, tipo: beber água. Parece óbvio, mas como quase não existem comerciais assim, é até uma alegria inusitada. 

3. Meninas Fortes - Nescau

Apesar do discurso meritocrático de superação individual, esse vídeo acerta em retratar uma mulher negra em posição de destaque como quase nunca se vê. Representatividade importa e ainda mais nessa país que muitas pessoas ao se deparar com médicas negras afirmam com naturalidade que tem "cara de empregada doméstica". Precisamos urgentemente de outras caras!

4. Mãe & Você - C&A

Esse é mais um comercial que, se não fosse pela inversão dos papéis comuns, passaria despercebido. É um roteiro bem simples, de uma mãe em conflito com a filha adolescente numa campanha de Dia das Mães. Mas olha só, a menina branca é completamente coadjuvante na história.

5. Dia das Mães - O Boticário

Um ano depois O Boticário apostou na mesma linha da C&A pra falar de amor entre mãe e filha interpretado por mulheres negras, não devia ser óbvio que mulher negra batalha, vive, ama e cuida dos filhos como brancas, asiáticas e etc?