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Homem é aplaudido quando reage a racismo em aeroporto nos EUA

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Homem é aplaudido quando reage a racismo em aeroporto nos EUA

Reprodução / Facebook

O que acontece com um homem negro na fila da primeira classe no aeroporto? Deveria ser um evento de rotina, mas o racismo institucional é tão forte em qualquer lugar do mundo, que, esta semana, um episódio corriqueiro teve um final inusitado que se tornou notícia internacionalmente. A reação do norte-americano Emmit Walker - cujo relato teve 700 mil interações no Facebook e mais de 250 mil compartilhamentos - narra a discriminação racial de uma passageira branca no aeroporto Ronald Reagan Washington National Airport, em Virginia, EUA.

Segundo o post de Walker, ele estava parado na fila aguardando a abertura dos portões quando começou o diálogo:

Mulher: - Licença, acredito que você está no lugar errado, você precisa nos deixar passar. Esta fila é para o embarque prioritário.

Walker: - Prioridade significa primeira classe, correto?

Mulher: - Sim, eles vão chamar vocês depois que nós embarcarmos.

Walker [Coloca o ticket da passagem da primeira classe na cara dela e diz]: - Relaxe, senhora. Estou no lugar certo e cheguei primeiro. Você pode entrar depois de mim.

Mulher: - Ele deve ser militar ou algo assim, mas pagamos por nossos assentos, então ele ainda deveria esperar.

Walker: Não. Sou muito grande para estar nas Forças Armadas. Sou só um negro que tem dinheiro.

Todo mundo esperando na fila começou a aplaudir !!!!

Os estigmas de “lugar de negro” estão estabelecidos e naturalizados no inconsciente coletivo sempre como espaços subalternos, quando não, em pequenas brechas estereotipadas que possam insinuar uma ruptura meritocrática. Por exemplo, estamos acostumados que negros bem sucedidos no Brasil sejam preferencialmente sambistas ou jogadores de futebol, mas raramente nos perguntamos por que não vemos juízes, médicos, ministros, intelectuais, escritores, artistas, diretores de cinema, por exemplo.

Quando pessoas negras “invadem” lógicas de privilégios, a sociedade dá bug. É assim que somos sempre perseguidos por seguranças de shoppings, que dirigindo carros caros somos automaticamente parados em blitz policiais, que em festas chiques inevitavelmente somos confundidos com as pessoas que estão a serviço - que não deveriam, obviamente, ser tratada como menores em seu papel.

Acontece o tempo todo, como nos casos notórios das negras que tentaram ajudar uma senhora branca caída num shopping e que lhes mandou limpar o chão ou a mulher internada como louca por policiais que não acreditavam que ela era proprietária da BMW que dirigia. O preconceito vivido por Walker é a regra. O inusitado nesse caso foi a comoção pública tanto com os aplausos no aeroporto como a reação fervorosa na internet. Será que o mundo está entendendo que lugar de negro é em qualquer lugar?