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"Não toque no meu cabelo", fala Lupita em nome de todas nós

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"Não toque no meu cabelo", fala Lupita em nome de todas nós

Reprodução / Facebook

Mesmo no patamar de uma estrela de Hollywood premiada com o Oscar, Lupita N’yongo não está imune ao racismo institucional da indústria do entretenimento e de suas imposições de padrões de beleza. Esta semana, a atriz queniana e mexicana abriu o verbo para protestar contra a edição britânica da revista italiana Grazie, que reconfigurou sem autorização prévia suas fotos, apagando seus cabelos crespos e intencionalmente fazendo-a parecer de cabeça raspada como em 12 Anos de Escravidão, filme que lhe rendeu o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante.

Lupita publicou uma foto original clicada pelo fotógrafo vietnamita An Le em que aparece de cabelos presos em rabo de cavalo. Na publicação, no entanto, o rabo de cavalo desaparece. A atriz reclamou em seu twitter: "Decepcionada que a GraziaUK editou e alisou meu cabelo para se adequar a uma noção mais eurocêntrica de como um cabelo lindo se parece", escreveu ela no Twitter, ainda usando a hashtag "dtmh", sigla de "don´t touch my hair" (não encoste no meu cabelo).

Há quem possa argumentar que retoque digital (o popular photoshop) é o uso comum das capas de revista, e que celebridades brancas também são readequadas para atingirem um padrão de beleza irreal, mas isso deveria ser de acordo entre as partes envolvidas, estando a modelo confortável com a imagem que propaga. Neste caso, não lhe pareceu justo que algo tão importante como valorizar seus cabelos lhe fosse arrancado à revelia.

É importante que uma referência como Lupita possa defender publicamente a existência de seu cabelo crespo e destaca como isso é importante para aceitação e autoestima de pessoas negras que crescem ouvindo que “seu cabelo é ruim”, como ressalta no depoimento que fez em seu Facebook e Instagram.

Veja a íntegra do desabafo de Lupita:

"Como já deixei claro recorrentemente no passado, com todas as fibras do meu ser, abraço minha herança natural e, apesar de ter crescido pensando em uma pele clara e padrão - os cabelos sedosos eram padrões de beleza -, agora sei que minha pele escura e diferente, e meus cabelos crespos também são lindos. Estampar a capa de uma revista me deixa satisfeita por ser uma oportunidade para mostrar a outras pessoas negras, de cabelos crespos, e particularmente nossas crianças, que são lindas do jeito que são. Estou decepcionada pela graziauk me convidar para estar em sua capa e, em seguida, editar e alisar meu cabelo para se adequar a uma noção de como um cabelo bonito se parece. Se eu tivesse sido consultada, teria explicado que não posso apoiar ou tolerar a omissão de minha herança nativa, com a intenção de que eles entendessem que ainda há um longo caminho a percorrer para combater o preconceito inconsciente contra a pele das mulheres negras, o estilo e a textura de seus cabelos”.