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Todo barulho é necessário para proteger Titi

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Todo barulho é necessário para proteger Titi

Reprodução / internet

Como diria minha avó, não se bate palma para maluco. Em tempos meméticos, isso pode ser traduzido para “não alimente os trolls”. Sabemos que haters se inflam da reverberação de seus discursos de ódio para se sentirem validados socialmente, em resumo, precisam de plateia para se acharem relevantes. Chocar e polemizar lhes parece ser uma grande força de poder - além de reflexo da própria insegurança e carência.

De modo que, evito dar audiência, menos ainda espaço, para aqueles que se arvoram em ofender publicamente com discursos racistas, machistas, homofóbicos e etc. Chamar atenção para as asneiras que propositalmente propagam é sua maior propaganda e vemos assim casos quase irreversíveis de certos deputados, apresentadores, músicos ou atores pornô megalomaníacos e ególatras e seus séquitos de seguidores na casa dos milhões.

Mas no caso da suposta socialite que passa sua vida infeliz proferindo comentários maledicentes sobre seus desafetos, escudada por uma cidadania (para ela a palavra deve se resumir a um passaporte) em um país desenvolvido, a agressão deliberada a uma criança de QUATRO anos por puro racismo não deve ser silenciada.

Não importa se ela defende a liberdade de expressão, o direito de achar feio o que não é espelho, ofender a filha de Giovanna Ewbank e Bruno Gagliasso com comentários relativos a raça é crime. E todo barulho em defesa da proteção da infância saudável de uma criança negra deve ser feito. Além da empatia com os pais brancos e de olhos de azuis que adotaram Titi, deveríamos ficar tão indignados e nos solidarizar com o filho da Taís Araújo, alvo de piadas racistas de pessoas públicas como o presidente da EBC.

Proteger a Titi ao primeiro momento é um privilégio de uma menina famosa, mas enfrentar judicialmente de maneira a enquadrar racismo como crime, é fundamental para todas as crianças que sofrem racismo no Brasil também acreditarem que o racismo está sendo combatido e não fica impune.

“É crime. Como disse a delegada, em qualquer lugar do mundo. Ela precisa pagar pelo que ela fez. O crime que ela cometeu afeta todo o país, e muita gente que sofre com isso, não só a minha filha e eu como pai mas todo brasileiro. Isso acontece o tempo todo, não foi só agora, e se nós não fizermos nada, vai continuar acontecendo”, afirmou Bruno Gagliasso em entrevista a TV Globo.

E como disse o vlogger Spartakus em seu comentário que já ultrapassa mais de 6 milhões de visualizações, o problema das ofensas a Titi não é tão somente - que já suficiente absurdo - chamá-la de macaca, com nariz de preto, e cabelo de pico de palha. O que leva uma pessoa abastada do alto dos privilégios a destilar ódio contra uma inocente criança negra é o espaço de poder que ela ocupa, o pensamento que surge do incômodo, da crença de que negro não pode ser elogiado, amado, considerado belo. No mundo em que vivemos, negro não pode ocupar um espaço de referência historicamente determinado apenas a pessoas brancas. Titi e Antônio são crianças que precisam de B.O. para conviver nesses espaços, imaginem as que nem passam da porta da desigualdade?